Política
‘Atividade político-partidária anda longe dos quartéis’, diz Múcio na Câmara
Ministro da Defesa atribuiu avaliação aos papel cumprido pelos novos comandantes das Forças Armadas
O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que militares, sob sua gestão, não mais estão envolvidos em agendas político-partidárias. A avaliação foi feita na Câmara dos Deputados, durante uma audiência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, nesta quarta-feira 17.
“A atividade político-partidária anda longe dos quartéis, como deve ser”, afirmou o ministro aos parlamentares.
Em seguida, Múcio explicou o que motivou sua avaliação. Segundo disse, a disciplina dos fardados e o novo comando das Forças seriam fatores determinantes.
“Nossos militares possuem elevado grau de disciplina. Tem comandantes competentes e comprometidos que lideram com responsabilidade seus subordinados em todos os níveis e são conscientes de suas responsabilidades perante a pátria à qual servem com dedicação”, destacou.
As declarações ocorrem na esteira da tentativa do governo federal de afastar militares do Planalto. A intenção já era anunciada em campanha, mas foi acelerada após a suspeita de omissão e até participação de integrantes das Forças Armadas nos atos golpistas de 8 de Janeiro.
Para cumprir o plano, o governo Lula prepara uma PEC a obrigar militares da ativa a se desvincularem das Forças Armadas ao decidirem participar da política. Conforme o texto articulado, militares que disputarem uma eleição serão compulsoriamente enviados para a reserva. Se não tiverem atingido o tempo mínimo necessário para entrar na reserva, serão desligados da Força em que servem.
O Planalto também estuda dar poder para a Controladoria-Geral da União investigar irregularidades cometidas pelos fardados que estão fora dos quartéis. Hoje, por definição tomada na gestão de Jair Bolsonaro, as suspeitas só podem ser apuradas pelas Forças Armadas.
Para além das ações do governo, as Forças Armadas também sinalizaram com medidas que visam a despolitização nos quartéis. A principal delas foi o prazo de 90 dias dado pela cúpula para que militares se desfiliem de partidos políticos, como prevê a Constituição.
Após a declaração principal, Múcio ‘cobrou’ dos deputados mais verbas para a indústria militar no Brasil. “Precisamos equilibrar investimentos em defesa para que possamos atingir níveis compatíveis com nossa dimensão territorial e com a estatura geopolítica do Brasil”, disse.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
‘Se forem, que fiquem por lá’, diz Múcio sobre militares na política
Por CartaCapital
Novo ministro do GSI discorda de proposta que transfere para reserva militares que buscam cargos políticos
Por André Lucena
Lula demitiu 189 militares do Planalto desde que assumiu o cargo, mostra levantamento
Por CartaCapital
Comandante diz que o Exército é ‘apolítico e apartidário’ e pede a militares ‘fé na democracia’
Por CartaCapital



