Economia

Campos Neto pede que mercado tenha ‘boa vontade’ com Lula

O presidente do BC fez, também, elogios ao plano fiscal apresentado por Fernando Haddad

Campos Neto pede que mercado tenha ‘boa vontade’ com Lula
Campos Neto pede que mercado tenha ‘boa vontade’ com Lula
Campos Neto será presidente do Banco Central por metade do mandato de Lula - Imagem: Marcelo Camargo/ABR
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O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, pediu aos investidores do mercado financeiro que tenham mais ‘boa vontade’ com o governo do presidente Lula (PT). A afirmação foi feita pelo executivo na manhã desta terça-feira 14 em evento promovido pelo banco BTG Pactual.

“O investidor é muito apressado, é muito afoito. A gente precisa ter um pouco mais de boa vontade com o governo, 45 dias é pouco tempo”, pediu o presidente do BC no evento transmitido online pelo banco.

Em seguida, Campos Neto fez novo aceno para o governo ao elogiar o pacote fiscal apresentado por Fernando Haddad, ministro da Fazenda. As medidas já tinham sido reconhecidas pelo BC como eficazes para conter a inflação, mas não foram suficientes para baixar a taxa básica de juros de 13,75%.

“Acho que tem tido uma boa vontade enorme do ministro Haddad de falar: ‘olha, temos aqui um princípio de seguir um plano fiscal com disciplina, tem um arcabouço que está sendo trabalhado. Já foram elaborados alguns objetivos’”, avaliou. “A gente precisa ter um pouco de boa vontade”, reforçou Campos Neto em seguida.

Apesar dos acenos ao governo, Campos Neto não indicou intenção de reduzir a Selic. A avaliação do PT, conforme noticiou CartaCapital nesta terça-feira, é de que sem a indicação, não é possível dar trégua ao presidente do BC. Por ora, a resolução do partido é que senadores e deputados sigam cobrando explicações do economista.

Na noite desta segunda-feira, Campos Neto chegou a afirmar que a taxa Selic praticada visa o ‘bem-estar’ social do Brasil. Segundo defendeu em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. Ele também sinalizou não estar disposto a mudar a meta de inflação atual, fixada em 3,25% para este ano e 3%.

Na quinta-feira 16, o Conselho Monetário Nacional (CMN) – que é formado pelos ministros da Fazenda, Fernando Haddad (PT), do Planejamento, Simone Tebet (MDB), e por Campos Neto – se reunirá e pode discutir a meta de inflação.

O governo  defende que uma meta de inflação baixa obriga o BC a subir mais os juros para controlar a inflação, o que atrapalharia a retomada do crescimento. O IPCA, no acumulado em 12 meses, encerrou janeiro a 5,77%.

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