CartaExpressa
Bolsonaro defende Pazuello: ‘Se tivesse negociando propina não teria vídeo’
A gravação também prova que Pazuello mentiu em depoimento à CPI da Covid no Senado, mesmo estando sob juramento
Em conversa com apoiadores no ‘cercadinho do Alvorada’, o presidente Jair Bolsonaro saiu novamente em defesa do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello após reportagens revelarem um vídeo em que o general aparece negociando vacinas com empresários.
O vídeo mostra um encontro fora da agenda oficial, em que Pazuello teria negociado com uma empresa intermediária, a World Brands, a compra de 30 milhões de doses de Coronavac ao custo de 28 dólares, quase três vezes mais do que o preço praticado pelo laboratório.
A gravação também prova que Pazuello mentiu em depoimento à CPI da Covid no Senado, mesmo estando sob juramento. Na oitiva, o ex-ministro disse que nunca se reuniu com empresários para negociar vacinas.
Aos apoiadores, Bolsonaro tentou justificar: “Se tivesse negociando propina não teria vídeo, porra!”, defendeu.
Em seguida, o presidente explica como deveria ser o modus operandi caso Pazuello tivesse negociando propina.
“Seria no submundo, num porão, num canto qualquer”, explicou Bolsonaro.
Na conversa com os apoiadores, o presidente voltou a atacar Lula e as pesquisas do Datafolha, que indicam vitória do petista nas próximas eleições.
“Vem um Datafolha da vida e fala que o Lula tá com 50%. O cara não consegue ir num botequim tomar uma cachaça, que é o que ele sabe fazer, sem ser vaiado. Não consegue fazer uma ‘jegueata’ na vida”, afirmou.
Bolsonaro também acusou Lula de ter implementado ‘ideologia de gênero’ nas escolas com a ajuda de Fernando Haddad durante a sua gestão. E voltou a repetir, sem provas, as teses de fraude nas eleições.
O presidente defendeu também a liberação das armas no Brasil, uma das principais bandeiras de sua campanha, alegando que ele, mesmo com toda a segurança, ‘só dorme com uma arma do lado’.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.



