Sustentabilidade

Desmatamento cresce 62% em 12 meses, apontam dados do Deter

Os alertas se concentram principalmente nos estados de Mato Grosso, Pará e Amazonas

Parte da floresta amazônica desmatada (Foto: CARLOS FABAL / AFP)
Parte da floresta amazônica desmatada (Foto: CARLOS FABAL / AFP)
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Dados do sistema Deter, do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados nesta sexta-feira 11, mostram que desmatamento segue fora de controle no País. 

Resultados do mês de fevereiro revelam que um total de 199 km² de floresta tropical foram extintos. Isso significa um aumento de 62% em relação ao mesmo período de 2021.  Este é o pior resultado para o mês desde 2016, quando se deu início ao monitoramento pelo Deter. 

É o segundo mês consecutivo com recorde de áreas desmatadas. Janeiro e fevereiro acumulam 629 km² de desflorestação, representando o triplo do observado em 2021.

“Isso tudo em um período no qual o desmatamento costuma ser mais baixo por conta do período chuvoso na região. Este aumento absurdo demonstra os resultados da falta de uma política de combate ao desmatamento e dos crimes ambientais na Amazônia, impulsionados pelo atual governo. A destruição não para”, afirma o porta-voz de Amazônia do Greenpeace Brasil, Rômulo Batista.

Os resultados são preocupantes, já que especialistas afirmam que a floresta amazônica está próxima do “ponto de não retorno”, quando perderá a sua capacidade de manutenção e recuperação. 

Um estudo da Universidade de Exeter aponta que três quartos da floresta apresentam uma resiliência cada vez menos contra secas e outros eventos climáticos adversos.

Se o cenário revisto se confirmar, grandes áreas desmatadas começarão a se transformar em um bioma próximo a savana, mais seca e degradada. E, como consequência, haverá perda de biodiversidade local e mudanças climáticas em escala global. 

“Na mesma semana em que milhares de pessoas se reuniram em Brasília, no Ato pela Terra, para exigir que o governo e o Congresso parem com o Pacote da Destruição, esse estudo publicado, a aprovação de urgência do PL da mineração em terras indígenas e os recordes dos alertas de desmatamento nos levam a refletir sobre o destino da Amazônia e seus povos”, acrescenta Batista. “Além disso, quanto mais desmatamento, maior é a contribuição do país com a emissão de gases do efeito estufa, agravando ainda mais a crise climática e acelerando os eventos extremos como as chuvas torrenciais que vimos esse ano no Brasil. Os dados de fevereiro apontam para mais um ano em que o Brasil caminha na contramão do combate à destruição ambiental e dos direitos dos povos indígenas”.

Marina Verenicz
Repórter do site de CartaCapital

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