Sustentabilidade

Apesar dos avanços no Brasil, desmatamento se mantém ‘obstinadamente’ alto no mundo

Políticas ambientais dos governos Lula, no Brasil, e Petro, na Colômbia, evitaram um resultado global pior na derrubada das florestas tropicais, as mais importantes do mundo, aponta o relatório da World Resources Institute (WRI)

Clima. O avanço das fronteiras agrícolas sabota o esforço para reduzir o desmatamento – Imagem: iStockphoto
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A Terra perdeu uma superfície de floresta intocada equivalente a 10 campos de futebol por minuto em 2023, apesar das melhorias na luta contra o desmatamento no Brasil e na Colômbia, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira (4).

No ano passado, as regiões tropicais perderam 3,7 milhões de hectares de florestas primárias, uma superfície quase equivalente à do Butão, segundo dados publicados pelo World Resources Institute (WRI), em colaboração com a Universidade de Maryland.

Este cálculo inclui perdas por razões diversas (desmatamento relacionado à agricultura, exploração florestal, destruição acidental, etc), além de incêndios.

No entanto, isto representa uma diminuição de 9% em comparação com o ano anterior, com uma melhora notável no Brasil e na Colômbia, que no entanto foi parcialmente compensada pelo aumento do desmatamento em outros países.

As perdas continuam sendo “obstinadamente altas”, quase idênticas às de 2019 e 2021, lamentam os autores do estudo.

O informe se concentra nas florestas tropicais, as mais propensas ao desmatamento deliberado, mas também as mais importantes em termos de biodiversidade e sua capacidade de absorver carbono.

Fora destas regiões, o Canadá também sofreu perdas recorde devido aos incêndios florestais devastadores que assolaram o país.

‘Dois passos à frente, dois passos atrás’

“O mundo deu dois passos à frente e dois passos atrás no ano passado”, comentou Mikaela Weisse, do WRI, durante uma apresentação à imprensa.

Sobre as boas notícias, a redução de floresta primária no Brasil caiu 36% no ano passado, alcançando seu nível mais baixo desde 2015, graças às medidas de proteção implementadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro ano de seu terceiro mandato.

No entanto, a tendência esconde disparidades: a melhora é muito marcada na Amazônia, mas a degradação é clara no Cerrado, epicentro do agronegócio.

Na Colômbia, a redução da superfície florestal teve queda de 49%, uma tendência que disparou após a eleição de Gustavo Petro para a Presidência.

As melhoras “impressionantes” nestes dois países “destacam a importância da liderança e das mudanças políticas no que diz respeito à proteção das florestas”, observou Mikaela Weisse.

“Devemos aprender com os países que estão freando com sucesso o desmatamento ou vamos continuar perdendo rapidamente uma de nossas ferramentas mais eficazes para combater as mudanças climáticas, proteger a biodiversidade e sustentar a saúde e os meios de vida de milhões de pessoas”, instou.

Estes progressos foram parcialmente contrapostos por uma clara degradação em Bolívia, Laos e Nicarágua.

Na Bolívia, a destruição das florestas (+27%) foi alimentada por incêndios e pela exploração agrícola, especialmente da soja, destinada ao consumo animal.

A agricultura também desempenhou um papel central no Laos, especialmente devido à demanda e aos investimentos procedentes da China, assim como a Nicarágua, onde a mineração também desempenha um papel importante, ressaltaram os especialistas.

‘Lucros de curto prazo’

Longe dos trópicos, o Canadá também se destacou por ter a temporada de incêndios mais devastadora já registrada, que quintuplicou a superfície florestal destruída no ano passado em comparação a 2022.

No total, apesar dos avanços em alguns países, o mundo não está na trajetória correta para cumprir os compromissos assumidos em 2021 na COP26, em Glasgow, onde mais de 140 líderes se comprometeram a deter o desmatamento até 2030.

“Estamos no caminho certo?… Resumidamente, não”, declarou Rod Taylor, do WRI.

“O desmatamento em 2023 esteve quase dois milhões de hectares acima do necessário para se chegar ao nível zero em 2030”, destacou.

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