Terra diz não confiar na Fiocruz e pesquisa sobre drogas é engavetada

Aprovada internacionalmente, pesquisa custou 7 milhões e permanece engavetada por 'viés ideológico', segundo ministro

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Saúde,Sociedade

Os números do 3º Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas são expressivos: 500 profissionais envolvidos, mais de 16 mil pessoas entrevistadas, metodologia similar a utilizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), amostragem aprovada pelo Consórcio Internacional de Estatística e 7 milhões de investimento público aprovado por meio de um edital.

Para o ministro Osmar Terra, porém, o estudo não tem serventia prática por ser ‘ideológico’ – e, por essa razão, suspeitam pesquisadores, estaria engavetado. “Eu não confio na Fiocruz. Temos que nos basear em evidências”, disse o ministro da Cidadania ao jornal O Globo.

Apesar de todo o aparato construído ao longo dos 3 anos de pesquisa – o Levantamento foi aprovado em edital de 2014, concluiu os dados no fim de 2017 e prestou as contas ao governo em junho de 2018 -, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) diz em nota que a Senad (Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas) se nega a reconhecer oficialmente o estudo, o que impede sua publicação. O órgão é ligado ao ministério da Justiça, que está sob a égide de Sergio Moro.

Recentemente vitorioso pela aprovação de seu próprio projeto de lei que altera a política sobre drogas no Brasil, analisada pelo Senado no dia 15 de maio, Osmar Terra insiste na tese da ‘epidemia de drogas’ e, aparentemente, teme ser desmentido com os dados analisados pela Fundação Oswaldo Cruz.

“É prestigiada para fazer vacina, para fazer pesquisa de medicamento. Agora, para droga, ela tem um viés ideológico de liberação das drogas”, opinou o ministro sobre a instituição. A Fiocruz é reconhecida mundialmente pelo seu rigor científico.

Mesmo nessa situação, a Fundação disse que respeitará o edital e não divulgará o relatório antes da aprovação do órgão, mas que acionou a Advocacia Geral da União para realizar o intermédio de ‘conflitos entre órgãos públicos’.

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