Sociedade

PM de SP reativa Operação Escudo após ataques contra cinco agentes

Operação similar, ocorrida em julho de 2023, deixou 29 mortos e foi alvo de denúncia de tortura e execuções

Operação Escudo - Mastrangelo Reino/Governo de SP
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A Secretaria de Segurança de São Paulo confirmou o início de novas operações Escudo após cinco policiais militares terem sido vítimas de ataques em diferentes regiões do estado no fim da semana.

As operações são uma resposta padrão contra ataques praticados contra agentes de segurança, criada pela gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Ainda na quinta-feira 18, uma soldada foi morta por criminosos que tentaram roubar a sua moto, na zona sul da capital paulista. No mesmo dia, um policial aposentado foi baleado em uma tentativa de assalto em uma região próxima. Ele foi internado no Hospital das Clínicas.

Naquela manhã também, um PM teve a sua moto roubada. Durante a abordagem, um dos criminosos teria efetuado disparos contra o agente e a sua esposa. O PM foi atingido no abdômen e a mulher, de raspão no pescoço.

Mais a noite, um outro agente foi abordado por criminosos enquanto andava de moto. Após anunciar o assalto, os criminosos atiraram contra ele. O agente foi levado ao hospital e um projétil foi retirado de seu corpo.

A 110km da capital, na cidade de Hortolândia, outro caso parecido. Um PM e sua mulher foram vítimas de uma tentativa de assalto que terminou com um dos suspeitos morto. Quatro homens teriam invadido a residência do agente, e quando perceberam que o morador era policial começaram a fazer ameaças. No entanto, o PM conseguiu sacar o revólver e intervir.

Apesar de não parecer haver conexão entre os crimes, o secretário de Segurança Pública do estado, Guilherme Derrite, afirmou que as vítimas teriam sido alvejadas após terem sido identificadas como policiais.

Em nota, a SSP pontuou que a operação visa o reestabelecimento da ordem e da “sensação de segurança da população”.

“A ação, neste caso, foi desencadeada em quatro regiões, sendo 2ª Operação Escudo, na região de Santo André (CPA/M-6), 3ª Operação Escudo, na região sul da capital paulista (CPA/M-10), decorrentes do assassinato da soldado PM Sabrina; 4ª Operação Escudo, na área de Piracicaba (CPI-9) e a 5ª Operação Escudo, na área que abrange a região de Guarulhos (CPA/M -7). O trabalho dos policiais ajudou a identificar os suspeitos da morte da soldado PM Sabrina, além de prender um jovem, de 19 anos, envolvido no caso de São Bernardo do Campo. Mais detalhes sobre o trabalho policial serão divulgados ao término das operações”, diz o trecho.

Operação Escudo na Baixada Santista

Em julho de 2023 foi deflagrada a primeira operação Escudo da gestão bolsonarista em SP após o assassinato de um agente de segurança no litoral do estado.

Em um mês de atividade, a operação deixou ao menos 28 pessoas mortas, se tornando a mais letal da policial paulista desde o massacre do Carandiru, em 1992.

Os policiais envolvidos na operação foram acusados de violência extrema contra moradores da região, que relatavam casos de ameaças e torturas cometidos pelos agentes.

Para realizar a operação, diversos batalhões do estado foram convocados para reforços. Os batalhões convocados não usavam as câmeras de segurança em seus uniformes.

Segundo uma reportagem do UOL, as vítimas da operação não passaram por perícia e os PMs envolvidos teriam alterado as circunstâncias das mortes.

A operação foi alvo de denúncia de diversos órgãos em prol dos direitos humanos, que revelaram ter havido tortura.

Em dezembro, um sargento e um soldado, envolvidos na operação, se tornaram os primeiros réus. A Justiça acusou a dupla de matar um morador da região que não oferecia riscos. Segundo os promotores, os agentes teriam forjado a cena do crime para justificar a morte.

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