Organização criminosa dificultou investigação do caso Marielle, diz PF

Segundo relatório, escritório do crime atuou para dificultar as investigações e impedir que a Polícia Federal fizesse outras descobertas

Vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018. Foto: Renan Olaz/CMRJ

Vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018. Foto: Renan Olaz/CMRJ

Sociedade

A Polícia Federal finalizou o inquérito sobre o caso do assassinato da vereadora Marielle Franco e concluiu que o processo de investigação sofreu obstrução. De acordo com a investigação do delegado federal Leandro Almada, o policial militar Rodrigo Jorge Ferreira, o Ferreirinha, e a advogada dele, Camila Nogueira, fazem parte de uma organização criminosa que atuou para atrapalhar as investigações sobre a morte da vereadora e do motorista Anderson Gomes.

Ferreira procurou a Polícia Federal em maio do ano passado apontando o miliciano Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando da Curicica, como uma pessoa interessada na morte da vereadora. Para os investigadores, o policial militar temia ser morto por Curicica e tinha interesse em assumir a área dominada pelo miliciano.

 

O relatório de 600 páginas foi entregue à procuradora-geral da República, Raquel Dodge. O texto também faz referência a dois advogados que atuaram na defesa de Curicica. Segundo uma fonte da PF, os dois teriam tentado obter uma suposta delação do miliciano, preso em Mossoró, a mando da contravenção.

O objetivo da contravenção seria justamente o de evitar que a Delegacia de Homicídios da Capital (DH), encarregada de investigar os matadores de Marielle e o mandante do crime, chegasse ao Escritório do Crime e desvendasse as violações cometidos – os integrantes são matadores de aluguel que trabalham quase que exclusivamente para os bicheiros. Segundo reportagem do jornal O Globo, há casos de homicídios ligados aos bicheiros ainda sem solução, como as mortes do presidente da Portela Marcos Falcon, em 2016, do sargento da reserva da PM Geraldo Pereira, no mesmo ano, e do contraventor Haylton Carlos Escafura, em 2017.

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Repórter do site CartaEducação

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