Sociedade

Maioria das armas de fogo usadas em ataques a escolas foi obtida em casa, aponta estudo

Levantamento do Instituto Sou da Paz mostra que, desde 2002, ataques com armas de fogo a escolas causaram 34 mortes

Foto: Arquivo/EBC
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Os ataques a escolas do país, quando ocorridos, trazem ao debate público uma série de questões: como são organizados, como os executores planejam as ações (mais recentemente) nas redes sociais e qual a origem das armas utilizadas. Sobre o último tópico, um levantamento do Instituto Sou da Paz, publicado nesta segunda-feira pelo jornal Folha de S. Paulo, apontou que, em 6 de 11 ataques a escolas no país nos quais armas de fogo foram usadas, os autores tiveram acesso às armas dentro das suas casas.

O instituto levou em consideração ataques ocorridos em escolas brasileiras desde 2002. Nesses casos, armas de fogo foram utilizadas em 11 de 24 atentados. Em mais de vinte anos, ataques com armas de fogo em instituições de ensino causaram 34 mortes e deixaram 57 pessoas feridas.

Por meio da análise dos boletins de ocorrência e dos processos judiciais dos ataques, o Instituto concluiu que, nos 11 ataques selecionados, foram utilizadas 15 armas (dez revólveres, três pistolas e duas garruchas), das quais 9 tiveram como origem a casa do próprio agressor, pertencendo aos pais ou a outros familiares. Vale destacar que a média de idade dos autores dos ataques, segundo o levantamento, é de 16 anos.

Dessas armas, 9 apresentavam registro legal identificado, das quais 6 foram registradas, comprovadamente, por um parente do agressor que trabalhava na área de segurança, seja como policial, perito ou guarda. 

Os ataques com armas de fogo em escolas analisados pelo Instituto ocorreram em 2002, 2003, 2012, 2017, 2018 (um em cada ano), além de 2011, 2019 e 2022 (dois em cada ano). Das mortes ocorridas nos ataques, 75,5% delas foram causadas pelas armas de fogo.

Em 2018, antes da chegada de Jair Bolsonaro (PL) à Presidência da República, o total de armas em acervos particulares no país era de pouco mais de 1,3 milhões de armas. Ao final do governo Bolsonaro – e com uma longa sequência de discursos e ações de incentivo ao armamentismo -, o total saltou para cerca de 2,9 milhões de armas em acervos privados, segundo outro estudo do Instituto Sou da Paz (em parceria com o Instituto Igarapé).

A possibilidade de um menor agressor acessar armas dentro de casa para realizar ataques em escolas é uma realidade, também, nos Estados Unidos, país que enfrenta o problema há décadas.

Embora o país norte-americano tenha uma legislação que facilita o acesso a armas a um nível mais alto do que o Brasil – o que faz com que a comparação deva ser feita levando em conta as distintas realidades -, um estudo do Instituto de Prevenção de Lesões por Armas de Fogo Universidade de Michigan, publicado em 2021 após entrevistar cerca de 3.000 pais e seus filhos adolescente, concluiu que, em cerca de 74% das ocorrências de tiroteios em escolas, a arma de fogo utilizada foi obtida na casa do jovem agressor ou de um parente.

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