Inquérito de brigadistas tem base em depoimentos ligados a proprietários rurais

Segundo o blog Ambiência, o relatório final não apresenta prova contra os brigadistas, apenas relatam suspeitas

Os brigadistas de Alter do Chão, no Pará (Foto: Tiago Silveira/Amazônia Real)

Os brigadistas de Alter do Chão, no Pará (Foto: Tiago Silveira/Amazônia Real)

Sociedade

A conclusão do inquérito da Polícia Civil do Pará que indiciou brigadistas pelos incêndios que ocorreram na área de proteção ambiental de Alter do Chão, em Santarém, se deu com base em depoimentos de pessoas ligadas a militares da reserva e a proprietários rurais da região. As informações são do blog Ambiência.

O veículo afirma ter tido acesso ao relatório final do inquérito, e que o documento não apresenta provas. A reportagem afirma que os depoentes não são testemunhas oculares do crime investigado, mas relatam suspeitas, como o fato de os brigadistas identificarem os focos de incêndio de forma antecipada em relação a outras instituições e grupos de voluntários que estavam no local.

Foram colhidos depoimentos de dois caseiros de proprietários rurais das regiões incendiadas e quatro pessoas que declaram vínculo com a Associação de Reservistas de Santarém (Ares), de onde teria partido a suspeita contra os brigadistas, segundo os depoimentos. Dois deles afirmam terem sentido odor de gasolina no contato com brigadistas. Também se repetem a versão de que os brigadistas teriam uma preocupação excessiva em registrar as ações com fotos e vídeos.

De acordo com o blog, um dos depoentes, Jean Carlos Leitão, que se identificou aos policiais como servidor público municipal e reservista membro da Ares, também é presidente do Instituto Cidadão Pró Estado do Tapajós (ICPET), que busca criar um estado independente do Pará. O instituto tem como assessor parlamentar um inimigo famoso de ONGs ambientalistas e comunidades indígenas, Edward Luz. Conhecido como “antropólogo dos ruralistas”, ele é contratado por proprietários rurais para produzir laudos contrários ao reconhecimento de terras indígenas.

Ainda segundo a reportagem, em um convite para uma mobilização do ICPET chamada “Fora ONGs de Santarém”, foi gravado um vídeo em uma página do Facebook com o Coronel Tomaso, militar da reserva que anunciou, em agosto, sua pré-candidatura à prefeitura de Santarém. Na semana passada, após viagem a Brasília, Tomaso se tornou presidente municipal do partido Patriota, que negocia com Bolsonaro o aluguel da legenda para as eleições do ano que vem.

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