Sociedade

Deputados vão à PGR denunciar casos de racismo na Câmara

Bancadas pedem que dois deputados com falas racistas respondam criminalmente pelos atos na Câmara

O deputado Coronel Tadeu (PSL-SP) quebrou quadro que continha dados sobre genocídio da população negra pelo Estado. Crédito: redes sociais
O deputado Coronel Tadeu (PSL-SP) quebrou quadro que continha dados sobre genocídio da população negra pelo Estado. Crédito: redes sociais
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Deputados do PSOL, PSB e PCdoB entraram com uma representação na Procuradoria-Geral da República, nesta quarta-feira 20, contra atos racistas que ocorreram na Câmara na terça-feira 19.

Um ato foi cometido pelo deputado Coronel Tadeu (PSL-SP), ao quebrar parte de uma exposição referente ao Dia da Consciência Negra e gravar para colocar nas redes sociais. O outro ato, feito pelo deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), foi dizer que um “negrozinho bandidinho” não deveria ser perdoado caso cometesse crimes.

Ambos defendiam a polícia, já que a charge em questão denunciava a morte de jovens negros pela mão do Estado. Pelo menos 6.220 pessoas foram mortas em decorrência de ações policiais em 2018, uma média de 17 vítimas por dia. Entre elas, há mais de 75% de chances dessa pessoa ser um jovem negro. As informações são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

“É preciso que as instituições assumam um compromisso com o combate ao racismo e enfrentamento de todas as formas de discriminação”, diz a representação. Os deputados argumentam que as ofensas proferidas são tipificadas pela Lei para Crime de Racismo (7.716/2012).

“A liberdade de se expressar não pode se confundir com o discurso de ódio, o incentivo à violência e a reprodução de preconceitos sociais, raciais, étnicos e de gênero. Houve, no caso, clara incitação e apologia à violência”, concluem os parlamentares.

Assinam a representação os deputados Áurea Carolina (PSOL-MG), David Miranda (PSOL-RJ), Edmilson Rodrigues (PSOL-PA), Fernanda Melchionna (PSOL-RS), Glauber Braga (PSOL-RJ), Ivan Valente (PSOL-SP), Luiza Erundina (PSOL-SP), Marcelo Freixo (PSOL-RJ), Sâmia Bomfim (PSOL-SP), Talíria Petrone (PSOL-RJ), Benedita da Silva (PT-SP), Orlando Silva (PCdoB-SP), Ubirajara do Pindaré (PSB-MA) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

Coronel Tadeu, por sua vez, afirmou que tem “amigos da raça negra” e que não foi racista na ocasião. Ele ainda afirmou que a maior vitimização dos jovens negros se dá pela maior “absorção pelo tráfico”.

PT recorre ao Conselho de Ética

O Partidos dos Trabalhadores protocolou no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados uma representação contra o deputado Coronel Tadeu. Segundo o partido, a quebra da placa se classifica como quebra de decoro parlamentar.

Veja na íntegra 

Giovanna Galvani

Giovanna Galvani
É repórter do site de CartaCapital.

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