Justiça

Conselho do Ministério da Justiça aprova recomendação de uso de câmeras corporais

A recomendação vale não só para policiais militares e civis, mas também para guardas municipais, agentes penitenciários e bombeiros

Conselho do Ministério da Justiça aprova recomendação de uso de câmeras corporais
Conselho do Ministério da Justiça aprova recomendação de uso de câmeras corporais
Câmera corporal em uniforme de policial militar do Estado de São Paulo. — Divulgação/Secom/GESP
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O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), vinculado ao Ministério da Justiça, aprovou, nesta sexta-feira 19, uma recomendação de uso de câmeras em fardas de policiais e agentes de segurança pública. 

O conselho é formado por profissionais da área jurídica, professores e representantes da sociedade civil. O documento será submetido ao ministro Flávio Dino, que deve validar ou não o documento para publicação no Diário Oficial da União (DOU).

A recomendação vale para policiais militares, civis, guardas municipais, agentes penitenciários e bombeiros.

O conselho não determina a aplicação direta da norma, mas prevê padrões gerais a serem utilizados no uso de câmeras no uniforme de policiais, como, por exemplo, a priorização por câmeras corporais com acionamento automático para evitar abuso de autoridade.

“Os sistemas que permitem desligamento dificultam a obtenção da prova”, avaliou o presidente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, Douglas Martins, em coletiva de imprensa.

Outras recomendações diferem sobre armazenamento de até um ano das imagens, acionamento e gravação das imagens durante o trabalho da corporação. 

O acesso às gravações serão de competência do setor de controle externo da atividade policial do Ministério Público, do juízo competente para a realização da audiência de custódias, corregedorias dos órgãos da segurança pública e quem demonstrar interesse, de forma fundamentada.

É previsto ainda que a Polícia Federal “discipline a implementação das diretrizes” do texto “às atividades de segurança e vigilância privadas”.

O presidente do Conselho afirmou que o objetivo inicial era ser uma resolução — o que faria com que os estados tivessem que aplicar a normativa — no entanto, voltaram atrás. 

“Não é possível impor um padrão. A nossa esperança é que, havendo uma recomendação, com alguns apontamentos, mesmo não sendo obrigatório, quem resolva fazer daqui por diante, quem sabe não siga a nossa recomendação. Se não houve um órgão nacional que aponte um padrão, por que um estado ou outro deve seguir?” disse Martins.

Órgãos como a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Batalhão de Operações Especiais (Bope) já iniciaram o uso do equipamento. Ao todo sete estados implementaram a tecnologia. Assim como o estado do Rio de Janeiro e Bahia, que pretendem aumentar o número de câmeras nos uniformes das corporações. 

Na contramão, no estado de São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) questiona a eficácia da medida e diminuiu o orçamento para o programa que prevê a instalação do dispositivo. 

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