Sociedade

Apoio a Bolsonaro nas PMs anda junto com a homofobia, aponta estudo

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que críticas aos direitos LGBT são mais frequentes que elogios virtuais a Bolsonaro

Foto: Eduardo Saraiva/ A2IMG
 Foto: Eduardo Saraiva/ A2IMG
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O apoio a Bolsonaro nas polícias militares é grande. Especialmente entre as baixas patentes, os chamados praças. Essa conclusão, cujos exemplos em série tornam quase platitude, ganhou endosso estatístico a partir de um estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, lançado nesta sexta-feira 7.

De acordo com a pesquisa, 41% dos soldados, cabos, sargentos e sub-tenentes mostram apoio público a Bolsonaro nas redes sociais. Entre os oficiais da PM, esse apreço é ligeiramente menor: 35%. “Não quer dizer que o restante [dos policiais] não acredite ou não concorde com o presidente, mas ao menos não interagem publicamente”, pontua Renato Sergio de Lima, diretor do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Com base em um universo de 885.730 policiais militares civis e federais – ativos e aposentados –  os pesquisadores chegaram a uma amostra de 879 profissionais. A partir daí, foram em busca de posts e comentários públicos no Facebook.

Oficiais da PM participaram menos de ambientes bolsonaristas do que os praças (FBSP/Reprodução)

Os pedidos de fechamento do Congresso e Supremo Tribunal Federal somam 12% dos compartilhamentos por PMs na rede. Comparado ao total geral, esse percentual corresponde a 82.773 mil policiais dispostos a favorecer uma eventual derrubada da democracia. Entre policiais civis e federais a taxa é, respectivamente, de 7% e 2%.

Chama atenção o interesse dos PMs por questões LGBT. O tema foi o segundo mais comentado por estes policiais, superando apenas política institucional. Críticas aos direitos dos gays e transsexuais foram mais frequentes que elogios a Bolsonaro e a comentários contra o PT e a esquerda — e 9 em cada 10 foram feitas por praças.

Para Lima, a movimentação está ligada à grita contra a participação de Thammy Gretchen, homem trans, em uma campanha publicitária de Dia dos Pais da Natura. Líderes evangélicos e políticos bolsonaristas encorajaram boicotes à marca. “Acho que tem um pouco desse caso, mas sobretudo porque uma parcela muito grande desses policiais é conservadora, apoia ideias de família tradicional. É terrível que isso apareça tão fortemente. Mas, infelizmente, não surpreende.”

Os praças são, em geral, maioria nas fileiras da PM. Compõem cerca de 70% do efetivo em São Paulo e no Rio de Janeiro. Policiais veteranos ouvidos por CartaCapital avaliam que esse parcela, mais jovem, menos educada e mal remunerada, é menos sensível a fatos que abalaram o apoio do oficialato a Bolsonaro, como a saída de Sergio Moro, a proximidade com o centrão e a prisão de Queiroz. 

O recente motim no Ceará é um exemplo dos riscos do apoio dessas fileiras ao presidente. As principais lideranças do protesto ocorrido em fevereiro eram praças convertidos em políticos, como o ex-deputado federal Cabo Sabino (Avante-PE) e o vereador de Sobral Sargento Ailton (SD). Ailton comandava a tomada do quartel onde o senador Cid Gomes (PDT-CE) foi alvejado ao tentar conter o protesto com uma retroescavadeira.

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