Saúde

Ômicron: Podemos ter um aumento de casos após Natal e Ano Novo, alerta epidemiologista

Roberto Medronho diz ser cedo para falar em cancelamento do Carnaval, mas diz que impactos da variante serão conhecidos em dois meses

Foto: Reprodução
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O epidemiologista Roberto Medronho afirmou na terça-feira 14 que a chegada da variante Ômicron ao Brasil pode fazer o número de hospitalizações e consequentemente de óbitos aumentarem no País após as festas de fim de ano.

Em entrevista ao Direto da Redação, boletim de notícias de CartaCapital no Youtube, o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro alertou que os impactos da nova cepa só serão sentidos próximos ao Carnaval.

“As evidências mostram que a Ômicron é muito mais infecciosa. Há indícios de que ela pode ser menos letal, mas não podemos afirmar. Na África do Sul, ela atingiu a população mais jovem, em que a doença tende a evoluir com menos gravidade”, avaliou Medronho. “Há um descompasso entre a curva de incidência da doença e as curvas de hospitalizações e óbitos. As hospitalizações começam a subir depois de 10, 15 dias e os óbitos após 30 dias.”

Na conversa, o professor disse ser cedo para falar em cancelamento do Carnaval, mas ressaltou a necessidade dos cuidados para o Natal e Ano Novo. De acordo com Medronho, como o primeiro caso no Brasil só foi confirmado no dia 30 de novembro, só será possível avaliar o impacto da Ômicron no País daqui a dois meses.

“Como ela é muito infecciosa, mesmo que a letalidade dela seja proporcionalmente menor do que a da [variante] Delta, podemos ter muitas hospitalizações e um número razoável de óbitos.  Não podemos relaxar. As festas de Ano Novo e Natal precisam ser feitas com muita segurança”, declarou o epidemiologista.

“Se formos para o Natal e o Ano Novo como se não houvesse amanhã, ganharemos um presente indesejado, que é a Covid. Devemos usar máscara, lavar as mãos e evitar aglomeração ou então poderemos ter, duas ou três semanas após Natal e Réveillon, um repique da onda de Covid”, afirmou.

Na entrevista, o professor elogiou a decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a obrigatoriedade do passaporte da vacina. Para ele, é cedo precipitado falar em lockdown neste momento.

“Lockdown agora não seria uma medida efetiva. O que precisamos é manter as medidas não farmacológicas, a vacinação e exigir o passaporte vacinal dos turistas que chegam ao Brasil”.

Por fim, sobre a epidemia de gripe que o País deve enfrentar nos próximos meses, o epidemiologista apontou os motivos: baixa cobertura vacinal e relaxamento das medidas não farmacológicas.

“A cobertura vacinal da Influenza A foi muito baixa no Rio de Janeiro (capital e estado) e no Brasil. As pessoas se preocuparam em tomar a vacina contra a Covid e menos da Influenza. Muitos confundiram a mensagem de flexibilização do uso de máscaras em locais públicos com o não uso”, disse. “Não é surto, é epidemia, pois vai se disseminar pelo País em pleno verão.” .

Assista a entrevista completa:

Alisson Matos

Alisson Matos
Editor do site de CartaCapital. Twitter: Alisson_Matos

Marina Verenicz
Repórter do site de CartaCapital

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