Em primeira coletiva, Teich confunde números e nomeia general como secretário

Ministro informou 43,5 mil casos de coronavírus, mas a pasta contabiliza mais de 45 mil infectados

O ministro da Saúde, Nelson Teich. Foto: Carolina Antunes/PR

O ministro da Saúde, Nelson Teich. Foto: Carolina Antunes/PR

Saúde

Em sua primeira aparição em coletiva de imprensa, nesta quarta-feira 22, o ministro da Saúde, Nelson Teich, citou um dado desatualizado sobre o número de infectados de coronavírus no país. Na entrevista à imprensa, a pasta atualiza as suas informações em relação ao combate à covid-19.

O equívoco ocorreu enquanto Teich discursava sobre a necessidade de o Sistema Único de Saúde (SUS) continuar atendendo pacientes que sofrem de outras doenças, e não apenas do novo vírus. Na ocasião, ele afirmou que são 43,5 mil casos de infecção no país, mas o próprio Ministério da Saúde informou, momentos antes, que o país já contabiliza mais de 45 mil contaminações.

“A gente hoje tem 43.500 casos do coronavírus no Brasil. Se a gente imaginar que a gente tem uma margem de erro grande, digamos que a gente tenha aí 100 vezes. É só um exemplo hipotético. A gente está falando em 4 milhões de pessoas. Nós hoje somos 212 milhões. Então, fora da covid, temos 208 milhões de pessoas que continuam com as suas doenças e que têm que ter isso tratado”, declarou.

Após a mudança de chefes no Ministério da Saúde, o trabalho da equipe apresentou instabilidade. Primeiro, houve interrupção de quase uma semana nas coletivas de imprensa pelo ministro da Saúde, a partir do momento em que Teich entrou no comando, na quinta-feira 16. As coletivas técnicas, que ocorriam diariamente, também foram suspensas e só retornarão na próxima semana.

Na segunda-feira 20, a pasta chegou a divulgar contagem errada do número de mortos por coronavírus.

General substitui João Gabbardo dos Reis

Teich anunciou o general Eduardo Pazuello como substituto de João Gabbardo dos Reis na secretaria executiva do Ministério da Saúde. Gabbardo dos Reis integrava a equipe de Luiz Henrique Mandetta, demitido na última semana pelo presidente Jair Bolsonaro.

Pazuello se formou em 1984 na Academia Militar das Agulhas Negras, onde Bolsonaro estudou. O general atuou como coordenador operacional da Força-Tarefa Logística Humanitária da Operação Acolhida, voltada aos venezuelanos que chegaram ao Brasil por Roraima. O militar também trabalhou como coordenador logístico das tropas do Exército durante as Olimpíadas de 2016.

“Nestes poucos dias que estou aqui, a impressão que eu tenho é que a gente tem que ser muito mais eficiente do que hoje. A gente está falando de logística, de compra e de distribuição, e ele [Pazuello] é uma pessoa muito experiente nisso. É uma pessoa que vem trazer uma contribuição num momento em que a gente corre contra o tempo”, justificou Teich.

Teich também defendeu a criação de um programa de saída das medidas de isolamento e distanciamento social. Ele argumentou que o surgimento de uma vacina deve demorar mais de um ano e que o Brasil “não tem um crescimento explosivo da doença”.

“É impossível um país sobreviver um ano e meio parado. O afastamento é uma medida absolutamente natural e lógica na largada, mas ele não pode não estar acompanhado de um programa de saída. Isso é o que a gente vai desenhar”, disse.

O Ministério da Saúde registrou novos 165 óbitos por coronavírus em 24 horas e o total de vítimas fatais chegou a 2.906, segundo atualização desta quarta-feira 22. A pasta contabilizou mais 2.678 casos novos e informou que já são 45.757 infecções em todo o país.

 

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Repórter do site de CartaCapital

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