Política

Economia vai sofrer mais se o sistema de saúde entrar em colapso, diz Mandetta

Mandetta fez discurso ameno sobre atritos com Bolsonaro, mas voltou a recomendar isolamento para conter o novo coronavírus

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Foto: Isac Nóbrega/PR
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O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que “a economia vai sofrer muito mais” se o sistema de saúde entrar em colapso, ao comentar sobre as ações do presidente Jair Bolsonaro em meio à pandemia do novo coronavírus. Em entrevista coletiva nesta sexta-feira 3, Mandetta recomendou que os brasileiros sigam as recomendações dos governadores e evitem sair de casa para conter a proliferação da doença.

Mandetta reforçou sua preocupação com a reposição dos estoques dos hospitais, devido à alta procura por equipamentos de proteção individual no mundo, como máscaras e luvas. Segundo ele, para evitar sobrecarga no atendimento médico, é preciso amenizar a circulação do vírus.

O ministro disse ainda que, em outros países, as sociedades que conseguiram um código de funcionamento muito restrito, conseguiram passar sem ter a espiral alta. Já as que permitiram maior volume de movimentação tiveram grande crescimento no número de casos e apresentaram graus diferentes de colapso no sistema de saúde.

“Quando se faz o colapso, a economia sofre muito mais do que quando se controla. Porque, quando se tem um colapso, não tem outra alternativa a não ser uma quarentena horizontal, que nós não experimentamos no Brasil. A gente tem visto, as pessoas têm se movimentado, os serviços essenciais estão funcionando”, comentou.

Sobre a possibilidade de sair do cargo, Mandetta declarou que “médico não abandona paciente”. Ele comparou sua relação com Bolsonaro à que um médico estabelece com a família do paciente. Ao chamar o paciente de “Brasil”, ele afirmou que considera normal que as pessoas ao redor, preocupadas, discutam com o médico sobre as decisões do tratamento.

“Eu entendo que as reações são assim. Não é nada desconfortável”, avaliou o ministro. Em sua observação, “há uma vontade muito grande de acertar” por parte de Bolsonaro, mas “o paciente manifesta qual é a sua vontade” em relação ao tratamento.

Mandetta prevê “20 semanas duríssimas” para o Brasil, em especial, no mês de maio. O ministro aponta ainda perigo no período de inverno, quando outras epidemias devem aparecer. Ele frisou que não há vacina, nem remédio que pode ser utilizado em larga escala para tratamento da doença.

Alertou ainda que não há possibilidade para a realização de testes na velocidade em que a proliferação se apresenta. O Ministério da Saúde também não tem como garantir o isolamento para pessoas aglomeradas em favelas e comunidades carentes, salientou.

Apesar do quadro, Bolsonaro insiste em ir na contramão das orientações do ministro e faz consecutivas aparições públicas para defender o fim da quarentena. Em entrevista à rádio Jovem Pan, na quinta-feira 2, o presidente defendeu a volta à normalidade para trabalhadores informais e acusou Mandetta de não ter humildade ao conduzir a crise.

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