Política

Diretores da Anvisa recebem ameaças após liberação de Coronavac para crianças

Mensagens foram recebidas em e-mails institucionais minutos após decisão de liberar imunizantes para crianças e adolescentes de 6 a 17 anos

Crianças sendo vacinadas em São Paulo.

Foto: NELSON ALMEIDA / AFP
Crianças sendo vacinadas em São Paulo. Foto: NELSON ALMEIDA / AFP
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Minutos após a aprovação do uso da vacina CoronaVac em crianças, na tarde de quinta-feira, diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) começaram a receber ameaças e ofensas em seus e-mails institucionais.

Em um deles, encaminhado à quinta diretoria, uma pessoa que se identifica como Nilza acusa os funcionários da agência de colocarem “vida inocentes numa grande roleta russa”. E diz que servidores da agência serão vítimas de uma “maldição”: “(…) o preço a ser pago será terrível não quero estar na sua pele e oro a Deus em desfavor de todos que tem causado dor e sofrimentos ao seu próximo, lembre se o próximo pode ser dentro de sua família (sic.)”

Em outro e-mail em tom ameaçador, enviado às 14h de quinta-feira, o remetente acusa os servidores da agência de falta de “amor à pátria” e também diz que “o preço que o servidor vai pagar será altíssimo”. “Com certeza não usará esse experimento nós filhos e netos de vcs” (sic.)”.

Em sua live semanal, no dia 16 de dezembro, o presidente Jair Bolsonaro ameaçou divulgar os nomes dos técnicos que aprovaram a vacina contra Covid da Pfizer para crianças de 5 a 11 anos.

— Não sei se são os diretores e o presidente que chegaram a essa conclusão ou é o tal do corpo técnico, mas, seja qual for, você tem o direito de saber o nome das pessoas que aprovaram aqui a vacina a partir dos cinco anos para o seu filho — disse Bolsonaro.

Desde então, técnicos e diretores da Anvisa têm sofrido ameaças e perseguições, por e-mails e nas redes sociais, por causa da atuação da agência na vacinação infantil. Ao todo, os funcionários da agência já receberam mais de 300 e-mails ameaçadores.

No último dia 20 de dezembro, três dias após a fala do presidente da República, a Polícia Federal abriu um inquérito para investigar o caso.

As últimas ameaças, na tarde de quinta-feira, foram encaminhadas minutos após a Anvisa aprovar, por unanimidade, a autorização emergencial da CoronaVac para crianças e adolescentes de 6 a 17 anos.

Nesta sexta-feira, o Ministério da Saúde anunciou que vai utilizar as doses da Coronavac na imunização de crianças e adolescentes. A decisão vem um dia após o governo de São Paulo iniciar a vacinação de crianças com imunizante, o que mobilizou governadores de outros estados a pressionarem o Ministério da Saúde pela liberação imediata da vacina.

Agência O Globo

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Agência de notícias e de fotojornalismo do Grupo Globo.

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