Saúde

Brasil pode ter 4,2 milhões de casos de dengue em 2024, diz Ministério da Saúde; vacinação começa nesta sexta

O número é quase três vezes maior do que o registrado no ano passado, quando o país teve, ao todo, 1,6 milhão de casos

Inicio da vacinação contra dengue, em Brasília (09. 02.2024) — Foto: Walterson Rosa/MS
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O Brasil pode alcançar o recorde de 4,2 milhões de casos de dengue em 2024, segundo informou nesta sexta-feira 9 a secretária de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Ethel Maciel. 

O número é quase três vezes maior do que o registrado no ano passado, quando o país teve, ao todo, 1,6 milhão de casos. 

Até o momento, foram mais de 395 mil casos de dengue, com 40 mortes confirmadas. Pelo menos quatro estados já decretaram estado de emergência em relação à doença, como Minas Gerais e Distrito Federal. 

A secretária explicou que a pasta observou mudanças na transmissão da doença e um aumento fora do comum para esta época do ano. “Nós estamos vendo uma antecipação dos casos que nós ainda não tínhamos visto nas últimas epidemias de dengue. Em geral, há um crescimento de casos no final de março e começo de abril. Nós começamos a ver o crescimento dos casos [neste ano] já em janeiro”.

E completou: “O perfil do mosquito também mudou, com circulação ao longo de todo o dia, e não apenas no começo da manhã e fim da tarde como tradicionalmente acontece”.

A OMS também reforçou o alerta e disse que a situação da dengue no Brasil é “alarmante”. Neste ano, segundo a organização, o país foi responsável por mais de 50% de todos os novos casos da doença no mundo.

“Encorajamos as pessoas envolvidas no Carnaval a usar repelentes e se proteger. Aqueles que possam se cobrir com mangas largas, ainda melhor”, recomendou Raman Velayudhan, chefe da unidade da OMS, em entrevista coletiva, conforme publicado pelo jornalista Jamil Chade, do UOL.

A preocupação do Ministério da Saúde, além do aumento expressivo da contaminação pela doença, são os óbitos. Isto porque, desde 2022, o Brasil registra recorde de mortes por dengue. 

Em 2021, o número de óbitos que era de 244 pulou para 1.016 em 2022, e no ano passado chegou a 1.094 vidas perdidas. 

“A dengue é uma doença que conhecemos. O controle do vetor é difícil, por isso a vacina é uma conquista. Mas precisamos diminuir os óbitos”, declarou Maciel. 

Para que a disseminação da doença se torne menos letal, a secretária informou que até o final de março, às 521 cidades selecionadas para a primeira etapa de vacinação estarão com todas as doses. O Brasil é o primeiro país do mundo a oferecer o imunizante contra a dengue na rede pública.

A campanha de vacinação começa nesta sexta-feira 9 e o primeiro grupo a receber o imunizante serão crianças de 10 a 11 anos. 

“A escolha pelo início da imunização nas crianças de 10 a 11 anos também é baseada no maior índice de hospitalização por dengue dentro da faixa etária de 10 a 14 anos”, explicou a secretária. Posteriormente, a vacinação avançará progressivamente nas demais faixas etárias.

Nesta primeira fase, o Brasil recebeu 720 mil doses do laboratório japonês Takeda Pharma, responsável pelo imunizante Qdenga, e deve ter, ao todo, até novembro, 6,5 milhões de doses. 

Como o esquema vacinal requer a aplicação de duas doses, a expectativa é que 3,2 milhões de pessoas sejam vacinadas. 

Apesar do interesse da pasta em comprar mais doses, a quantidade disponibilizada pelo laboratório é o número total de imunizantes que serão fabricados neste ano. 

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