Política

Voto de Fux anima parlamentares bolsonaristas na pressão por anistia

O ministro do STF defendeu absolver Jair Bolsonaro na trama golpista

Voto de Fux anima parlamentares bolsonaristas na pressão por anistia
Voto de Fux anima parlamentares bolsonaristas na pressão por anistia
Ministro Luiz Fux durante sessão plenária do STF. Foto: Fellipe Sampaio /STF
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O longo voto do ministro Luiz Fux no julgamento da ação do golpe na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, nesta quarta-feira 10, animou o entorno de Jair Bolsonaro (PL) e até líderes do Centrão. Segundo esses interlocutores, ouvidos sob reserva por CartaCapital, a manifestação do magistrado deve fazer a proposta de anistia ganhar fôlego no Congresso Nacional.

Bolsonaro e sete aliados são réus no caso. Fux abriu divergência de Alexandre de Moraes e Flávio Dino e se manifestou pela absolvição do ex-presidente.

A avaliação de parlamentares consultados pela reportagem é que, apesar de não ser capaz de reverter a tendência de condenação, o voto de Fux serve de instrumento político para reforçar a pressão em torno do perdão aos condenados pelos atos golpistas.

“O voto de Fux foi o recheio do bolo”, resumiu um deputado federal próximo à família do ex-capitão. A articulação em torno da anistia tem encontrado resistências em Brasília. Na Câmara, o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) receia pautar o texto para não tensionar a relação com o STF, apesar de admitir a aliados que o tema terá de ser enfrentado pela Casa em algum momento.

A principal barreira está no Senado, onde Davi Alcolumbre (União-AP) trabalha por uma proposta moderada, a beneficiar apenas condenados pelos chamados delitos de multidão.

A anistia voltou à pauta com a articulação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que vestiu a roupa de candidato à Presidência em 2026 e engrossou o tom contra Alexandre de Moraes, relator da ação do golpe e alvo preferencial do bolsonarismo.

Tarcísio fez chegar a integrantes do PL nesta quarta que voltará à capital federal após o julgamento, para retomar as conversas sobre o projeto. Prometeu buscar Alcolumbre e integrantes do Republicanos que ainda torcem o nariz para a anistia.

No governo Lula (PT), o voto de Fux foi recebido com “constrangimento e perplexidade”. Um ministro do PT disse à reportagem que o magistrado pareceu ter “incorporado o papel de advogado de defesa de Bolsonaro” e esquecido votos anteriores sobre réus envolvidos no quebra-quebra de 8 de Janeiro. A ordem no Palácio do Planalto, no entanto, é não se manifestar sobre o julgamento.

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