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‘Não se pode dizer que nada aconteceu’, afirmou Fux em março ao receber a denúncia do golpe
No julgamento da ação penal, o ministro divergiu do relator, Alexandre de Moraes, e do colega Flávio Dino
O ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux afirmou em 26 de março, ao votar por tornar réus os integrantes do núcleo crucial da tentativa de golpe, não ser possível “dizer que não aconteceu nada”.
Nesta quarta-feira 10, no julgamento da ação penal na Primeira Turma, ele divergiu do relator, Alexandre de Moraes, e do colega Flávio Dino, que votaram por condenar os oito réus do grupo, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Esses episódios contra a nossa democracia e contra o Estado Democrático de Direito serão marcantes dia após dia. Todos os dias serão dias da lembrança de tudo o que ocorreu. E, por isso, não se pode, de forma alguma, dizer que não aconteceu nada. É absolutamente impossível se afirmar isso”, declarou Fux há quase seis meses.
“Nós conquistamos a democracia entre lutas e barricadas”, prosseguiu, na ocasião. “Vivenciei o quão difícil foi alcançarmos esse estágio civilizatório do Estado Democrático de Direito, e tudo o que se volta contra ele é repugnante e absolutamente inaceitável.”
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