Política

Temer sai em defesa de Bolsonaro e diz que prisão do ex-presidente ‘não é útil’ para o País

Assim com Lira, emedebista defendeu que seja criada uma lei para ofertar ‘tratamento adequado’ a ex-presidentes

Jair Bolsonaro e Michel Temer. Foto: Mauro Pimentel/AFP
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O ex-presidente Michel Temer (MDB) saiu em defesa do também ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no caso da venda ilegal de joias, alvo de investigação da Polícia Federal. A posição foi externada pelo emedebista em uma entrevista publicada nesta sexta-feira 1 pela revista Veja.

Segundo defendeu Temer, uma eventual prisão do ex-capitão ‘não seria útil’ ao País porque transformaria a figura detida em uma espécie de mártir. No atual contexto, projeta, poderia desencadear episódios violentos.

“Ao prender um ex-presidente, em vez de produzir efeitos negativos, você o vitimiza. Não é útil para o País”, disse Temer. “São palavras, gestos, momentos que levam a nação a uma intranquilidade”, completa.

O emedebista, importante lembrar, foi alvo de prisão pouco tempo depois que deixou o posto no Planalto, em março de 2019, no âmbito da Operação Lava Jato. Ele ficou detido por 4 noites, na ocasião. Sobre o episódio, ele diz não ter sido preso, mas ‘sequestrado’. “Não havia indiciamento, denúncia, nem representação”, argumenta.

Diante do cenário, ele defendeu que seja criado um mecanismo para oferecer ‘tratamento adequado’ a ex-ocupantes do Planalto:

“Acho que era preciso verificar uma determinação sobre os presidentes da República. Isso não significa que quem tenha praticado maiores excessos de corrupção não possa ser detido. Mas deveria haver uma legislação que previsse um tratamento adequado à figura do ex-presidente”.

A posição, importante destacar, é bastante semelhante à defendida por Arthur Lira (PP-AL), atual presidente da Câmara dos Deputados.

Na entrevista desta sexta, Temer defendeu, ainda, que, para ele, no caso específico das joias, não seria tarefa simples distinguir quais presentes devem ou não ficar com um presidente.

“Bolsonaro partiu da concepção de que são objetos pessoais. Em sendo pessoais, poderia ficar com eles ou vendê-los. É um tema complicado. Não é fácil distinguir uma coisa da outra”, destacou.

Apesar da afirmação, o entendimento TCU tem jogado contra Bolsonaro. A indicação, até aqui, é de que os presentes luxuosos, de alto valor, não poderiam ter sido somados ao acervo pessoal do ex-capitão.

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