Temer diz que Moraes não ‘recuou um milímetro’ em conversa com Bolsonaro

O ex-presidente foi o responsável por intermediar um telefonema entre o ministro do STF e o ex-capitão

O ex-presidente Michel Temer. Foto: Alan Santos/PR

O ex-presidente Michel Temer. Foto: Alan Santos/PR

Política

Michel Temer (MDB), antes de escrever uma carta de recuo para Jair Bolsonaro na última quinta-feira 9, intermediou um telefonema entre o presidente e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, alvo dos ataques do ex-capitão no 7 de Setembro.

 

 

Em um evento virtual nesta sexta-feira 17, Temer relatou que a conversa foi “amigável” e que o ministro não “recuou um milímetro” nas decisões tomadas.

“Eles conversaram amigavelmente depois que o presidente apresentou um documento em que apenas coloquei alguns tópicos. Percebi uma conversa muito amigável, fraternal e adequada. Sem que o Alexandre recuasse um milímetro daquilo que juridicamente ele faz”, disse Temer no evento, citado pelo jornal O Globo. “Foi uma conversa útil naquele momento para distensionar”.

Desde que apertou o cerco no Inquérito das Fake News e na apuração dos atos antidemocráticos, Moraes se transformou no alvo principal dos ataques de Bolsonaro. O presidente chegou a dizer que se negaria a cumprir uma nova decisão do ministro, durante discurso inflamado no Dia da Independência. Na ocasião, o ex-capitão repetiu ofensas a Moraes, a quem chamou de “canalha”.

O ataque acirrou os ânimos de bolsonaristas, que subiram o tom contra Moraes e esperaram pelos ‘próximos passos’ na ofensiva. Caminhoneiros chegaram a fechar estradas pedindo a destituição do ministro. Políticos aliados ao presidente e blogueiros favoráveis ao governo repetiram as ameaças.

Bolsonaro, no entanto, ‘tirou o pé’ e recuou dois dias depois. Ele disse respeitar Moraes e as instituições e cessou momentaneamente os ataques. A nota não foi bem recebida por apoiadores políticos. Um vídeo recente em que Michel Temer gargalha de uma imitação do presidente durante um jantar complementa o cenário de recepção do texto.

Bolsonaro, no entanto, não recuou da publicação e reafirmou os pontos da nota. A bolsonaristas no cercadinho disse estar “acertando” e “ganhando” com a carta. Admitiu ainda ter feito um acordo pelo texto, sem fornecer detalhes. A nota também repercutiu bem entre os brasileiros, sendo aprovada por 55% dos entrevistados na mais recente pesquisa PoderData. A aceitação foi ainda maior entre eleitores do presidente, com 65% de aprovação.

 

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Repórter do site de CartaCapital

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