Justiça
Tarcísio deve seguir regras do Ministério da Justiça sobre câmeras de PMs, enfatiza Barroso
O presidente do STF não vê, ao menos por enquanto, conflito entre os governos paulista e federal
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, negou nesta segunda-feira 10 uma solicitação da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, mas determinou que o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) siga as normas fixadas pelo Ministério da Justiça para o uso de câmeras corporais pela Polícia Militar.
A Defensoria pediu a Barroso que reconsiderasse uma decisão anterior e ordenasse a retificação do edital publicado pela gestão Tarcísio para a compra de câmeras. O órgão questiona, entre outros pontos, o fato de o governo paulista ter alterado o modelo de gravação das imagens: o registro deixará de ser ininterrupto (independentemente de acionamento pelo policial ou pelo gestor) e passará a ser intencional.
No fim de maio, o Ministério da Justiça publicou diretrizes sobre a utilização das câmeras. O texto deixa a escolha do modo de gravação a cargo das secretarias estaduais de Segurança, mas recomenda que a adesão seja preferencialmente pelo modelo de acionamento automático. Também prevê 16 situações em que os equipamentos precisam obrigatoriamente estar ligados.
Barroso afirmou nesta segunda que o Núcleo de Processos Estruturais Complexos do STF deve averiguar a observância dos parâmetros fixados e a efetividade das câmeras contratadas pelo governo paulista e do software para gravação das situações previstas na portaria do Ministério da Justiça.
“Em caso de desempenho insatisfatório, esta Presidência voltará a atuar”, escreveu o ministro do Supremo, para quem não há, ao menos por enquanto, conflito entre o edital estadual e as regras federais.
Ele enfatiza que o conjunto de normas do governo Lula (PT) não vincula diretamente o estado, mas representa uma “diretriz técnica importante”.
“Assim, entendo possível usar os parâmetros nela estabelecidos para verificar se os compromissos assumidos pelo Estado quanto à continuidade da política do uso das câmeras estão sendo atendidos.”
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Por que o novo edital das câmeras corporais para a PM de São Paulo é um retrocesso, segundo especialista
Por Ana Luiza Basilio
Norma do governo Lula sobre câmeras de policiais pode levar a mudança em edital de Tarcísio, diz pesquisador
Por Ana Luiza Basilio
TCE-SP mantêm edital do governo Tarcísio para a aquisição de novas câmeras corporais a PMs
Por CartaCapital



