Justiça

STF proíbe dinheiro público em comemoração do golpe militar de 1964

O caso concreto trata da celebração do golpe pelo Ministério da Defesa em 2020, sob Jair Bolsonaro (PL)

STF proíbe dinheiro público em comemoração do golpe militar de 1964
STF proíbe dinheiro público em comemoração do golpe militar de 1964
Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal. Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF
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O Supremo Tribunal Federal decidiu, nesta sexta-feira 6, proibir o uso de recursos públicos na promoção de comemorações sobre o golpe militar de 1964.

O julgamento ocorreu no plenário virtual, sem a necessidade de sessões presenciais.

Prevaleceu no STF o voto do ministro Gilmar Mendes, que abriu uma divergência do relator, Kassio Nunes Marques. O decano propôs a fixação da seguinte tese:

“A utilização, por qualquer ente estatal, de recursos públicos para promover comemorações alusivas ao Golpe de 1964 atenta contra a Constituição e consiste em ato lesivo ao patrimônio imaterial da União”.

Os ministros analisaram uma ação da deputada federal Natália Bonavides (PT-RN) contra a ordem do dia publicada pelo Ministério da Defesa em 2020, sob o governo de Jair Bolsonaro (PL), classificando o golpe como um “marco para a democracia brasileira”.

Acompanharam o voto de Gilmar os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Luís Roberto Barroso.

Em sua manifestação, Dino escreveu que “as consequências do golpe de Estado ocorreram em vários planos, notadamente dos direitos fundamentais e do pluralismo político”. Esses danos são, segundo ele, “irreparáveis e devem ser sempre lembrados para que jamais se repitam”.

Kassio, por sua vez, não entrou no mérito e avaliou que o caso concreto não tem caráter de repercussão geral. “No presente caso, verifica-se que a questão controvertida não extrapola os limites da causa e o interesse subjetivo das partes envolvidas. Trata-se de tema específico, de efeito restrito ao caso concreto.”

Dias Toffoli e André Mendonça seguiram o relator, mas ficaram vencidos.

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