Silvio Santos trata Bolsonaro como ‘patrão’ em comunicado para funcionários

Mensagem do dono do SBT impacta especialmente sobre a cobertura jornalística da emissora da crise do coronavírus

Jair Bolsonaro e Silvio Santos (Foto: Alan Santos / PR)

Jair Bolsonaro e Silvio Santos (Foto: Alan Santos / PR)

Política

O alinhamento entre Silvio Santos e Jair Bolsonaro é algo transparente. Mas nessa semana, o dono do SBT deu um passo além ao tratar o presidente como “patrão” em um comunicado emitido pelo apresentador e empresário encaminhado aos funcionários. A informação é da coluna Zapping, assinada pela jornalista Cristina Padiglione e publicada na Folha de S.Paulo.

Na nota, Silvio Santos escreve que deve obediência a Bolsonaro, já que sua concessão de TV é pública. “Minha concessão de televisão pertence ao governo federal e eu jamais me colocaria contra qualquer decisão do meu ‘patrão’ que é dono da minha concessão. Nunca acreditei que um empregado ficasse contra o dono, ou ele aceita a opinião do chefe, ou então arranja outro emprego”, diz a nota transcrita pela coluna do canal F5, da Folha.

O recado é para que a cobertura jornalística da emissora sobre a crise do coronavírus se afaste do viés político e foque no factual, um grande desafio no atual cenário em que Bolsonaro passou a ver governadores como inimigos por defenderem a quarentena.

 

Vale lembrar que desde que Bolsonaro assumiu a presidência, o SBT passou a ser um dos canais de TV mais beneficiados com as verbas federais. Em contrapartida, a grade da emissora sempre recebe integrantes do governo para fazer propagandas de seus projetos. Bolsonaro, por exemplo, já foi entrevistado pelo apresentador Ratinho mais de uma vez.

Silvio Santos subiu no palanque do ex-capitão no desfile de Sete de Setembro do ano passado em Brasília e recebeu os parlamentares Flávio e Eduardo Bolsonaro, senador e deputado federal, em seu programa, no quadro “Jogo das 3 Pistas”. Isso aconteceu em julho de 2019 e na época o dono do SBT satirizou os filhos do presidente Jair Bolsonaro porque não souberam responder a algumas questões sobre a história da política brasileira.

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