Política

Debate na Band e ‘Jornal Nacional’ melhoram o engajamento de Lula e Bolsonaro nas redes

Confira o monitoramento semanal da Editoria de Redes do Observatório das Eleições (de 21 a 30 de agosto)

Lula e Jair Bolsonaro. Fotos: Ricardo Stuckert e Miguel Schincariol/AFP
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A semana de 22/08 a 28/08 trouxe uma grande exposição dos candidatos à mídia tradicional com a série de entrevistas no Jornal Nacional e o debate na Band. O resultado teve repercussão nas redes sociais dos candidatos, especialmente de Luiz Inácio Lula da Silva (primeiro colocado nas pesquisas) e de Jair Bolsonaro (segundo colocado). 

O monitoramento do Twitter feito pela Editoria de Redes do Observatório das Eleições mostrou que os dois principais candidatos na disputa eleitoral tiveram aumento no engajamento total na plataforma, ou seja, conquistaram mais seguidores depois da exposição na TV. O aumento foi mais significativo para Lula, o que pode se explicar, em parte, pelo desempenho ruim de Bolsonaro no debate.

O candidato do PT, que tem 44% das intenções de voto segundo a última pesquisa Ipec, registrou um aumento de 2,7% no número de seguidores na plataforma. O presidente Jair Bolsonaro, candidato à reeleição e que tem fortíssima atuação na internet, teve um aumentou de 1,3% em sua base de apoio no Twitter.

Considerando o engajamento médio, o ex-presidente também teve um aumento maior, crescendo 56% de interações médias por post contra 42,8% de crescimento do atual presidente.

No entanto, Bolsonaro conseguiu um aumento total de engajamento de mais de 70%, totalizando 3,94 milhões de interações, contra 3,05 milhões do petista.

As principais postagens de Bolsonaro e Lula foram sobre a participação de ambos nas entrevistas do Jornal Nacional. Em relação aos temas que suscitaram mais interação para os candidatos, temos: gênero (discutido por Lula quando abordou a proposta de renegociação de dívidas para as mulheres) e crítica à “carta pela democracia” feita por Bolsonaro.

Os temas mais abordados nas publicações

Em levantamento feito 10 dias após o começo oficial da campanha eleitoral, observou-se que os temas democracia, religião, pandemia e economia estão entre os principais abordados nas publicações de apoiadores de Lula e de Jair Bolsonaro. O monitoramento do Observatório vem categorizando, de forma automatizada, todas as publicações do Twitter e Youtube dos principais apoiadores de ambas as chapas.

Levando-se em conta o Twitter, os temas principais abordados pelo campo  lulista são: democracia (36%), pandemia (11,4%) e religião (10,8%). No campo bolsonarista, os principais são: democracia (29,5%), religião (19.7%) e economia (12%). O tema democracia está presente em ambos os campos, mas com construções narrativas bastante distintas. Alguns recortes mais específicos mostram, abaixo, essas narrativas distintas. 

O tema “democracia” na semana no Twitter

O monitoramento feito pelo Observatório das Eleições, no período, sobre o tema geral democracia envolve alguns subtemas, como golpe, Carta aos Brasileiros, ditadura, regime militar, Forças Armadas. Nas semanas após a ação do ministro Alexandre de Moraes contra os empresários bolsonaristas que falavam em golpe contra o ex-presidente Lula em rede social, os tuítes com mais engajamento trouxeram os termos golpe, democracia, ditadura e regime militar.

O campo bolsonarista reagiu fortemente à operação de busca e apreensão feita pela Polícia Federal e autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes em relação aos empresários investigados pelas manifestações golpistas em rede social. Os apoiadores do presidente Bolsonaro se manifestaram atacando a credibilidade das instituições. O tuíte com mais engajamento foi, novamente, do empresário Luciano Hang, também ele investigado pela PF. 

@LucianoHangBr – 36.808 de engajamento – (23/08)

https://twitter.com/LucianoHangBr/status/1562255028806721536

Em relação ao tema democracia, há uma ressignificação constante do termo pelo campo bolsonarista. O presidente Jair Bolsonaro menosprezou reiteradamente a Carta pela Democracia e associou do PT a ditaduras.

@LucianoHangBr – 92.570 de engajamentos – (23/08)

https://twitter.com/LucianoHangBr/status/1562216595061194752

@jairbolsonaro – 88.557 de engajamentos – (25/08)

https://twitter.com/jairbolsonaro/status/1562876143182954496

A Sala Digital e os interesses do Google

O debate presidencial na rede Bandeirantes apresentou, assim como em 2018, a estrutura da Sala Digital montada e patrocinada pelo Google. Apresentado como“termômetro”, a Sala Digital dispõe da organização, pela própria empresa, do universo de buscas realizadas por meio do Google no Brasil durante o horário do debate na televisão.

A apresentadora destacava o modelo – “40 temas foram selecionados pelo Google com base no monitoramento de 150 temas”; na sequência, tarjas coloridas com temas como “preços”, “escola”, “educação”, “dólar”, “saúde”, “guerra”, “crédito” e “energia”. No entanto, o modelo não foi explicado – nem na apresentação da Sala Digital nem em qualquer outro espaço do site do Google.

Nada se disse sobre o método de seleção e construção destas categorias e temas: são derivados a partir da quantidade de palavras digitadas no buscador? São categorizadas com base na avaliação de algum pesquisador do Google? Importante dizer que a plataforma apresenta os resultados de buscas com base nos seus interesses de negócios, cuja principal fonte de receita financeira são os anúncios digitais. Essa receita, por sua vez, é usada, em partes, para financiar canais de comunicação ativos na disputa eleitoral, muitos deles ligados à reprodução de notícias falsas sobre as eleições e as urnas eletrônicas. 

Esse material de análise foi produzido pela equipe da Editoria de Redes do Observatório das Eleições a partir do monitoramento de 400 contas, englobando atores diversos do campo lulista e do campo bolsonarista, em quatro plataformas: Twitter, Youtube, Facebook e Instagram. 

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