Política

Roberto Jefferson comprou armas enquanto cumpria prisão domiciliar, diz jornal

Arma usada no ataque aos policiais está entre as compradas por Jefferson enquanto estava preso

O ex-deputado federal Roberto Jefferson. Foto: Reprodução/Redes Sociais
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O ex-deputado Roberto Jefferson comprou armas de fogo enquanto estava preso por ordens do Supremo Tribunal Federal. As informações foram reveladas pelo jornal O Globo deste domingo 2, com base em notas fiscais e documentos emitidos pelo Exército brasileiro.

De acordo com o jornal, mesmo preso, Jefferson conseguiu comprar e registrar uma carabina, uma pistola e pelo menos 150 cartuchos de munição. Uma das armas, a pistola, foi adquirida em dezembro de 2021, sob a a frouxa fiscalização durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), numa loja em Brasília. No dia 21 daquele mês, Jefferson cumpria pena em uma cela do Complexo Gericinó, no Rio de Janeiro, por atos antidemocráticos, mas seu nome é o que consta nas notas e registro no Exército obtidos pelo jornal.

Ação parecida ocorreu em 4 de julho do ano seguinte, quando Jefferson também registrou no Exército uma carabina. Neste dia, o ex-deputado já estava em prisão domiciliar. Essa arma foi usada em outubro de 2022 pelo ex-deputado para atirar contra agentes da Polícia Federal que cumpriam novo mandado de prisão após a violação de restrições da prisão domiciliar. Naquele dia, Jefferson atirou mais de 60 vezes com a carabina em direção aos agentes. Ele entregou a arma ao Padre Kelmon antes de ser preso.

A pistola, não usada no dia do crime, foi apreendida durantes as buscas após o ataque. Ela estava sem o cano em uma maleta na casa de Jefferson. O registro, emitido em 10 de maio de 2022 pelo Exército, estava junto com o equipamento.

É importante ressaltar que o Exército avalizou as aquisições de armamentos mesmo a lei brasileira vetando a posse e compra de armas a investigados ou réus em ações penais. A ação é um retrato do afrouxamento das leis e fiscalização impostas sob a gestão do ex-capitão.

Outras duas notas fiscais em nome de Jefferson, mostra o jornal, foram encontradas pelos agentes e revelam que, em apenas um dia de agosto de 2022, o ex-deputado comprou 150 cartuchos de 9mm por 2 mil reais na mesma Guns Sport, em Brasília.

Durante a prisão de Jefferson, foram encontradas também uma guia de tráfego emitida pelo Exército em nome de Jefferson para que ele transportasse a pistola adquirida em dezembro em Brasília para o Rio de Janeiro. A data do documento é de 27 de julho de 2022. A 11ª Região Militar alegou ao Ministério Público Militar, porém, que não expediu guias de tráfego em nome de Jefferson depois 23 de agosto de 2021. O item é uma lacuna ainda sem respostas.

Segundo o jornal, Jefferson só teve o certificado de CAC suspenso pelo Exército no dia seguinte aos ataques contra os policiais no Rio. Para a promotora Caroline Piloni, que conduz o Inquérito Militar que apura o caso, o Exército “teria se quedado inerte, ao não adotar medidas para suspender ou cancelar seu Certificado de Registro e notificá-lo quanto à necessidade de se desfazer de seu acervo, o que poderia evitar o fato ocorrido em 23 de outubro”.

As suspeitas apuradas são engrossadas pelo fato de que o Exército não abriu procedimento administrativo para apurar se Jefferson havia deixado de atender o requisito da idoneidade ao se tornar réu no STF. Ele tem outras 14 armas em seu nome no banco de dados da Força. O mesmo ocorreu quando, em 2005, ele foi preso pelo Mensalão.

Ao jornal, o Exército diz que apura o caso em um inquérito. Jefferson, por sua vez, alega que suas armas sempre estiveram em situação regular. A sua defesa reforçou a intenção de doar os equipamentos. A ação é uma tentativa dos advogados de tirar o ex-deputado da prisão.

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