Diversidade

Renan Quinalha: O que vivemos hoje não tem precedentes, só a ditadura

Em entrevista a CartaCapital, o professor conta detalhes do seu novo livro sobre a história do movimento LGBTI+

Entrevista com o professor Renan Quinalha está disponível no Instagram de CartaCapital. Foto: Reprodução
Entrevista com o professor Renan Quinalha está disponível no Instagram de CartaCapital. Foto: Reprodução
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Autor do livro recém-lançado Movimento LGBTI+, uma breve história do século XIX aos nossos dias (Editora Autêntica, 2022), o professor de Direito Renan Quinalha avalia que o cenário atual para a comunidade LGBTI+ no Brasil, com o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), só teve precedente no período da ditadura militar.

A afirmação faz referência a outro estudo de sua autoria que virou livro no ano passado, Contra a moral e os bons costumes: A ditadura e a repressão à comunidade LGBT (Editora Companhia das Letras), que trata da perseguição após o golpe de 1964.

Em entrevista ao canal de CartaCapital no Instagram, Quinalha avaliou que os governos da redemocratização anteriores ao de Bolsonaro não promoviam LGBTfobia de forma institucionalizada. O professor citou como exemplo a extinção do Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos LGBT+, uma das principais queixas do movimento em relação à atual gestão.

“Todo esse tipo de democratização do Estado foi destruído nesses últimos quatro anos”, afirma. “O que a gente está vivendo hoje não tem precedente em nenhum governo desde a redemocratização do país. Tem precedente na ditadura.”

Quinalha se dedicou a investigar as primeiras citações ao termo “homossexual”, os passos iniciais de organizações políticas de defesa aos direitos da comunidade e as grandes manifestações de rua que hoje inspiram a Parada do Orgulho LGBTQIA+.

O professor também debate a influência de diferentes eras históricas sobre a existência LGBTI+, desde o colonialismo europeu até a ascensão do imperialismo estadunidense. Há, ainda, curiosidades sobre a recepção das ideias sobre homossexualidade pelo próprio campo das esquerdas, que apontam para uma convivência de alinhamentos, mas também de conturbações.

Da metade para o fim do livro, Quinalha reflete sobre os desafios brasileiros em relação à pauta LGBTI+, sobretudo no mandato de Bolsonaro. Em sua avaliação, a questão ficou em segundo plano no debate público da disputa presidencial, mas diz que é “compreensível”, devido ao cenário de “destruição nacional” no campo econômico.

“Seria difícil estar em primeiro plano nesse momento. A gente viveu anos de um governo de destruição nacional do patrimônio público, da economia brasileira. O nível de pessoas passando fome e de pobreza é muito significativo”, pontua. “É natural que as eleições pautem muito a questão econômica. Isso faz com que a pauta LGBTI+ acabe ficando mais de lado, de modo que é compreensível.”

O professor relembra a importância de candidaturas ao Legislativo que abordam essas questões – e estão sendo “escanteadas” inclusive nos partidos progressistas, mas crê que o movimento LGBTI+ precisa “ganhar a maioria” na eleição deste ano com pautas que dialoguem com a crise econômica nacional.

“Não dá para rifar a pauta LGBTI+ para ter determinados apoios, é fundamental assumir compromissos contundentes, mas também acho que não é a única disputa que está posta.”

A íntegra da entrevista está disponível na íntegra na aba de vídeos do Instagram de CartaCapital.

Victor Ohana

Victor Ohana
Repórter do site de CartaCapital

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