Renan: declarações ‘estapafúrdias’ de Guedes parecem ‘autoconvocação’ à CPI da Covid

Senadores já se organizam para levar o ministro da Economia à comissão; ataques à China estão na mira

Renan Calheiros e Paulo Guedes. Fotos: Jefferson Rudy/Agência Senado e AFP

Renan Calheiros e Paulo Guedes. Fotos: Jefferson Rudy/Agência Senado e AFP

Política

O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou nesta quarta-feira 5 que as declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, soam como uma “autoconvocação” para depor na comissão.

 

 

Na semana passada, Guedes usou uma reunião do Conselho de Saúde Suplementar para atacar a China. Segundo ele, “o chinês inventou o vírus”, mas desenvolveu uma vacina menos eficiente que aquelas criadas por empresas norte-americanas.

A declaração foi proferida como forma de defesa da eficiência de empresas privadas na comparação com o setor público. Assista ao vídeo.

“Problema do Paulo Guedes não são os recursos e, sim, as declarações estapafúrdias, que soam como autoconvocação dele. Não sei se o espírito dele é esse”, disse Renan nesta quarta, após a sessão em que os senadores da CPI ouviram o ex-ministro da Saúde Nelson Teich.

Na terça-feira 3, durante a oitiva do também ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), pediu a convocação de Guedes. O requerimento deve ser votado na semana que vem.

Mandetta fez duras críticas ao chefe da Economia, que “não ajudou nada” no enfrentamento à Covid-19.

“Pelo contrário, falava que já tinha mandado o dinheiro e que se virem. Vamos tocar a economia. Talvez tenha sido uma das vozes que tenham influenciado o presidente”, afirmou o ex-ministro.

No depoimento, Mandetta se referiu a Guedes como “um desonesto intelectualmente, uma coisa pequena, um homem pequeno para estar onde está”. O ex-chefe da Saúde citou uma entrevista do ministro da Economia à CNN Brasil em março deste ano. Na ocasião, Guedes declarou: “No primeiro dia, Mandetta saiu com 5 bilhões no bolso. É desde aquela época que deveríamos estar comprando vacina, não é mesmo? O dinheiro estava lá”.

Ao rebater o ministro, Mandetta citou que o “mundo virtual” também é responsável pela repercussão dessas declarações de Guedes. Ele afirmou que o presidente Jair Bolsonaro é uma das pessoas que se pautam “por likes, enquanto o vírus e a doença estão no mundo real”.

“E esse ministro não soube nem olhar o calendário para falar: ‘Puxa, enquanto ele estava lá, nem vacina sendo comercializada no mundo havia’. Só posso lamentar”, concluiu Mandetta.

 

 

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