Relação Brasil x China pode estar interferindo nos insumos à Coronavac, diz Butantan

Instituto diz que interromperá produção da Coronavac a partir de sexta-feira 14

A vacina Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. Foto: CARL DE SOUZA/AFP

A vacina Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. Foto: CARL DE SOUZA/AFP

Política

O Instituto Butantan afirmou que as relações diplomáticas entre o Brasil e a China “podem estar interferindo” no fornecimento de novos lotes de insumos para a Coronavac, em nota.

Segundo a instituição, faltam ingredientes farmacêuticos ativos, IFAs, para seguir fabricando a vacina chinesa; sem a matéria-prima, a produção do imunizante será interrompida a partir de sexta-feira 14.

 

 

Todo o IFA recebido em 19 de abril já foi processado e foi utilizado nas vacinas que serão entregues nesta semana, em torno de 1,1 milhão. O Butantan já distribuiu 46 milhões de doses ao Programa Nacional de Imunizações, referentes ao 1º contrato com o governo federal. Falta, agora, produzir mais 56 milhões de doses.

“O Butantan aguarda autorização do governo chinês para a liberação de mais matéria-prima necessária para a produção da vacina”, diz nota. “Questões referentes à relação diplomática Brasil x China podem, sim, estar interferindo diretamente no cronograma de liberação de novos lotes de insumos.”

O laboratório brasileiro informou ainda que “não há qualquer entrave relativo à disponibilização de IFA ao Butantan por parte da biofarmacêutica Sinovac”.

Desde o início da semana, o governador João Doria (PSDB) já alertava para a possibilidade de interrupção na fabricação e culpava “manifestações inapropriadas, inadequadas e inoportunas” do governo brasileiro em relação à China. O próprio diretor do Butantan, Dimas Covas, já reclamou pessoalmente dos ataques aos chineses.

A China ainda não estabeleceu prazo para o envio de insumos ao Brasil. A postura ocorre após o presidente Jair Bolsonaro insinuar, sem qualquer prova, que o coronavírus foi criado em um laboratório do país asiático.

“Os militares sabem o que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que não estamos enfrentando uma nova guerra? Qual o país que mais cresceu seu PIB? Não vou dizer para vocês”, afirmou, no início do mês.

 

 

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Repórter do site de CartaCapital

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