China não estabelece prazo para envio de insumos ao Brasil

A semana foi marcada por ataques do presidente Jair Bolsonaro à China e por alertas do diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas

O presidente Jair Bolsonaro. Foto: Isac Nóbrega/PR

O presidente Jair Bolsonaro. Foto: Isac Nóbrega/PR

Política,Saúde

O embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, evitou estabelecer um prazo para o envio ao Brasil do Ingrediente Farmacêutico Ativo, necessário para a produção da Coronavac, pelo Instituto Butantan, e da vacina de Oxford, pela Fiocruz.

 

 

A mensagem foi transmitida por Wanming em reunião virtual com os ministros Paulo Guedes, da Economia, Carlos França, das Relações Exteriores, e Marcelo Queiroga, da Saúde, segundo informação publicada pelo jornal O Globo.

Wanming justificou a decisão apontando dois problemas: a alta demanda global pelos insumos e a importância de acelerar a imunização dos chineses.

A postura do embaixador vai ao encontro do que afirmou na tarde desta sexta o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz. De acordo com ele, a pasta não tem informações sobre a data em que o IFA chegará da China.

“O ministro [Queiroga] esteve em reunião com o embaixador chinês e essa não é uma alternativa isolada, sempre foi o objetivo garantir que esse IFA chegue ao Brasil”, disse Cruz. “Ainda não temos a confirmação do embarque do IFA”, completou.

Segundo nota divulgada pelo Ministério da Saúde, Queiroga afirmou no encontro que está “entusiasmado em continuar essa parceria que tem possibilitado o fornecimento de IFA para a Fiocruz e o Butantan”.

Ainda conforme o comunicado da pasta, Wanming garantiu que a China está disposta a continuar com a colaboração para enfrentar a Covid-19 e sustentou que laboratórios chineses firmaram contratos de venda de vacinas com mais de 100 países, os quais devem ser honrados.

Esta semana foi marcada por um novo ataque do presidente Jair Bolsonaro à China. Em evento no Palácio do Planalto na última quarta-feira 5, ele insinuou, sem apresentar qualquer evidência, que o novo coronavírus pode ter sido criado em um laboratório, no âmbito de uma “guerra química”.

“É um vírus novo, ninguém sabe se nasceu em laboratório ou nasceu porque um ser humano ingeriu um animal inadequado. Mas está aí”, afirmou o presidente.

“Os militares sabem o que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que não estamos enfrentando uma nova guerra? Qual o país que mais cresceu seu PIB? Não vou dizer para vocês”, completou, na ocasião.

Horas depois, tentou negar ter se referido à China no polêmico discurso.

“Eu falei a palavra ‘China’ hoje de manhã? Eu não falei. Eu sei o que é guerra bacteriológica, guerra química, guerra nuclear. Eu sei porque tenho a formação. Só falei isso, mais nada. Agora, ninguém fala, vocês da imprensa não falam onde nascem os vírus. Falem. Ou então têm medo de alguma coisa? Falem. A palavra ‘China’ não estava no meu discurso de quase 30 minutos de hoje”, disse Bolsonaro na noite de quarta-feira.

Na quinta-feira 6, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, já adiantava que poderiam faltar insumos para a produção da Coronavac e afirmado que a culpa pelo atraso deveria ser “debitada ao governo federal, que tem remado contra” o recebimento da matéria-prima da China.

Covas também refutou as alegações de Bolsonaro sobre “guerra biológica”.

“Essas declarações contêm inúmeras inverdades. Primeiro, que o vírus foi produzido na China e faz parte de uma guerra biológica, uma coisa mirabolante. A OMS fez uma auditoria em Wuhan e deixou muito claro as condições de surgimento desse vírus. Não resta nenhuma dúvida”, disse. “A China fez o que o Brasil não fez: controlou o vírus. É um grande exemplo de como se controla de fato uma epidemia.”

 

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