Protesto contra Bolsonaro no 7 de Setembro está mantido, diz organização

Doria anunciou que o ato não poderá ser realizado em qualquer circunstância na data; Campanha Fora Bolsonaro reivindica legitimidade

Coletiva de imprensa dos organizadores da Campanha Fora Bolsonaro. Foto: Reprodução/Brasil de Fato

Coletiva de imprensa dos organizadores da Campanha Fora Bolsonaro. Foto: Reprodução/Brasil de Fato

Política

Organizadores do ato contra o presidente Jair Bolsonaro previsto para 7 de setembro em São Paulo anunciaram que vão manter a data, ainda que o governador João Doria (PSDB) tenha declarado que proibirá a realização do protesto. Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira 26, a Campanha Fora Bolsonaro afirmou que a manifestação segue prevista para o Largo do Anhangabaú, no Centro da capital paulista, mas sem trajeto confirmado.

 

 

Conforme mostrou CartaCapital, o governo Doria impediu que a manifestação da Campanha Fora Bolsonaro ocorresse na Avenida Paulista, com a justificativa de que os atos bolsonaristas teriam preferência no local. A decisão foi baseada em uma decisão judicial de 2020 do Tribunal de Justiça de São Paulo que veda a realização de atos antagônicos no mesmo lugar. Os organizadores dos atos contra o presidente, então, decidiram mudar o local para o Largo do Anhangabaú.

Porém, Doria anunciou, em coletiva no Palácio dos Bandeirantes, que o ato não poderá ser realizado em qualquer área do estado de São Paulo no Dia da Independência, porque a data estaria reservada aos bolsonaristas. O tucano afirmou ainda que a data para os atos de adversários do presidente é 12 de setembro, data articulada pelas organizações de direita Movimento Brasil Livre, Vem Pra Rua, e líderes do Partido Novo e PSL.

A Campanha Fora Bolsonaro repudiou a decisão de Doria e a chamou de “autoritária”.

“Manifestação é um direito garantido na Constituição”, disse Josué Rocha, do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto. “A Campanha Fora Bolsonaro tem legitimidade de convocar a manifestação.”

Raimundo Bonfim, da Central de Movimentos Popular, defendeu o veto de Doria aos protestos de caráter antidemocrático mobilizados pelos bolsonaristas, com bandeiras como o fechamento do Supremo Tribunal Federal e o levante da Polícia Militar.

“O governador cedeu a Paulista para gente que está falando que vai fazer violência. O governador deveria impedir o ato dos golpistas na Paulista”, disse.

Bonfim informou que o comunicado já foi realizado à Prefeitura de São Paulo e à Polícia Militar. Em meio a convocação de figuras da PM aos atos pró-Bolsonaro, Bonfim disse que o entendimento articulado é de que o governo do Estado “tem o dever de promover a segurança dos manifestantes”.

Os organizadores afirmaram que vão realizar um dia de panfletagens em 28 de agosto para convocar os atos no Anhangabaú, que compreenderão também o “Grito dos Excluídos”, tradicional protesto no Dia da Independência, realizado anualmente desde 1995. Em São Paulo, o ato ocorreu na Avenida Paulista por 12 anos seguidos.

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Repórter do site de CartaCapital

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