Prioridade é impeachment, não 2022, dizem organizadores do ‘Fora Bolsonaro’

Movimentos sociais e partidos realizaram plenária virtual para planejar protestos de rua contra o presidente, marcados para 19 de junho

Foto: Reprodução/CartaCapital

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Política

Integrantes de movimentos sociais pediram prioridade para a defesa do impeachment do presidente Jair Bolsonaro, durante plenária nesta quinta-feira 10, realizada para tratar dos atos de 19 de junho. Os protestos foram convocados pela Campanha Fora Bolsonaro e pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, que reúnem diversas organizações.

 

 

 

Militantes entendem que os esforços pela derrubada imediata de Bolsonaro devem ser maiores que os dedicados aos preparativos para as eleições de 2022, ainda que figuras do campo progressista, como Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Ciro Gomes (PDT), pareçam ter chances de vitória.

Conforme mostrou CartaCapital, está presente na esquerda a discussão sobre a melhor estratégia para tirar Bolsonaro do poder. Analistas e políticos dizem ver sinais de que alguns setores preferem deixar o presidente “sangrar” até o ano que vem, para aumentar as possibilidades de Lula ou Ciro Gomes. Essa ideia colocaria, porém, os esforços pelo impeachment em segundo plano.

Durante a plenária, entretanto, pregou-se o contrário.

Camila Lisboa, do Sindicato dos Metroviários, ponderou que “Bolsonaro pode se recuperar até 2022” e ressaltou a importância do apoio de Lula às manifestações. Na mesma linha, Camila Delmonte, do movimento RUA – Juventude Anticapitalista, declarou que “é um equívoco da esquerda apostar apenas na trincheira eleitoral” e que não é possível ter confiança de que os ritos democráticos serão seguidos até 2022. “A disputa do futuro se faz hoje”, afirmou.

“Não vamos esperar sentados passivamente”, discursou Guilherme Boulos (PSOL), em vídeo enviado à reunião. “Não vamos esperar até 2022. Queremos tirar o Bolsonaro já.”

Em coro, a avaliação do PCB é de que “a derrota de Bolsonaro está ligada à capacidade de colocar o povo na rua”. Foi o que afirmou o secretário-geral do partido, Edmilson Costa. “Para termos 2022, precisamos resolver a contradição central em 2021”, disse Leonardo Péricles, do partido Unidade Popular.

A necessidade de unidade entre as forças de esquerda para as manifestações foi tema central de diversas intervenções na plenária. A adesão aos atos de 29 de maio é vista como positiva, embora tenha chamado a atenção a posição de diretórios partidários que anunciaram de última hora a desistência dos protestos.

 

 

Segundo apurou CartaCapital, não é uma unanimidade entre as centrais sindicais a decisão de marcar presença física em 19 de junho. O motivo da divergência é perigo de contaminação pelo coronavírus. Em nota divulgada na quarta-feira 9, entretanto, as entidades declararam que “apoiam” os protestos.

As centrais sindicais convocaram mobilizações contra Bolsonaro para a véspera, 18 de junho. Segundo as organizações, a data é um “esquenta” para os atos do dia 19, com assembleias, panfletagens e orientações sanitárias em postos de trabalho.

“Nosso calendário passa a ser, objetivamente, os dias 18 e 19 de junho”, disse Alexandre Conceição, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, na plenária. A organização já foi resistente à ideia de convocar protestos, defendendo como alternativa a realização de uma greve, conforme contou João Paulo Rodrigues a CartaCapital. Vencido nas discussões, o MST se comprometeu a convocar a base para os atos, mas a ideia da greve geral segue sendo defendida entre outras organizações.

Para a próxima semana, estão planejados “compartilhaços” nas redes e são esperadas agitações virtuais de rechaço à Copa América, que começa em 13 de junho.

Já nesta sexta-feira 11, militantes do Espírito Santo devem espalhar “faixaços” e promover um “barulhaço” contra Bolsonaro. O presidente tem agenda prevista no estado, em um evento de inauguração de casas. Será a primeira visita do chefe do Planalto ao território capixaba desde o início do mandato.

Vários estados já realizaram plenárias. As preocupações passam por manter cuidados sanitários, como o uso de máscaras e álcool em gel, e expandir os atos para as cidades interioranas.

“19 tem que ser maior que 29”, disse José Maria de Almeida, dirigente do PSTU.

As pautas do racismo e da misoginia também foram citadas na plenária, devido ao recente assassinato da jovem Kathlen, de 24 anos, no Rio de Janeiro, após uma ação brutal da Polícia Militar nesta semana.

“‘Fora, Bolsonaro’ está no centro das lutas antirracistas e das mulheres”, afirmou Bernadete Monteiro, da Marcha Mundial das Mulheres.

Também participaram da plenária a ex-deputada Manuela D’Ávila, do PCdoB, a líder do PSOL na Câmara dos Deputados, Talíria Petrone (RJ), e o deputado Camilo Capiberibe (PSB-AP). Estava prevista a presença da presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, mas a deputada avisou que estava ocupada com uma agenda de Lula no Rio de Janeiro. A militante Camila Moreno representou a sigla.

 

Guilherme Boulos, coordenador da Frente Povo Sem Medo, enviou vídeo à plenária dos atos de 19 de junho. Foto: Reprodução

 

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Repórter do site de CartaCapital

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