Política

Por unanimidade, Conselho de Ética da Alesp aprova a cassação de Arthur do Val

O plenário ainda deve analisar o pedido; o parlamentar havia dito que ucranianas ‘são fáceis porque são pobres’

Arthur do Val, o 'Mamãe Falei', veio do Movimento Brasil Livre. Foto: Carol Jacob/Alesp
Arthur do Val, o 'Mamãe Falei', veio do Movimento Brasil Livre. Foto: Carol Jacob/Alesp
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O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo, por unanimidade, aprovou nesta terça-feira 12 a cassação do deputado estadual Arthur do Val (União Brasil-SP), conhecido como “Mamãe Falei”, por declarações sexistas sobre mulheres ucranianas.

Em uma das gravações mais polêmicas, divulgada por meio de áudio vazado, o parlamentar dizia que as mulheres ucranianas “são fáceis porque são pobres”. Após o escândalo, ele chegou a retirar a sua pré-candidatura ao governo de São Paulo, mas minimizou o episódio e protestou contra a perda do mandato.

O deputado Delegado Olim (PP), relator do caso no Conselho, havia votado a favor da cassação. Depois da votação no colegiado, que tem dez votantes, o tema segue para avaliação do plenário da Casa.

Ao defender uma posição favorável à cassação, Erica Malunguinho (PSOL) citou outros casos em que Arthur do Val teria agido machismo, como quando invadiu uma reunião de mulheres sobre sexualidade na Universidade de São Paulo com uma fantasia de vagina, em 2018.

“Por mais que se tente relativizar, é como se estivéssemos colocando debaixo do tapete algo que é muito maior”, afirmou. “Uma fala banal gera estupro e feminicídio. Isso que é papo de homem é um exercício de poder.”

Marina Helou (Rede) também votou a favor da cassação e disse que a Alesp não deveria aceitar “nenhum representante na política que trate as mulheres como objetos sexuais”.

Barros Munhoz (PSDB) também defendeu a perda do mandato por “Mamãe Falei”.

“Você ir numa Ucrânia sofrendo o que está sofrendo, que dói no coração de qualquer ser humano que vê as imagens na televisão, que nos faz chorar de ver para onde está caminhando o mundo, realmente o ambiente é outro e o tamanho do crime é muito maior. Por isso é que exige uma punição também maior”, declarou.

Eu seu momento para autodefesa, Do Val pediu desculpas a quem “verdadeiramente” se ofendeu com os áudios, mas disse que o processo do qual é alvo não se deu pelo seu erro, mas por suas “virtudes”.

O parlamentar alegou ainda que se sente “odiado” por suas posições políticas e chamou os colegas da Assembleia de “escravos” de líderes políticos como Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL).

“Eu fiquei mal com esse erro, porque eu errei mesmo. Não foi um negócio que, ah, erraram por mim. Ou foi um erro mais ou menos. Não, foi um erro grave. E eu assumi, tive que assumir as consequências pessoais desse erro. Eu fiquei muito destruído, cara. Fiquei tomando remédio para dormir, para acordar, para comer. E todo mundo sabe disso. Eu não estou me vitimizando”, acrescentou, em meio a reações irônicas de parlamentares.

Se aprovado pelo plenário da Alesp, o pedido de cassação pode tornar Arthur Do Val inelegível até 2032.

Victor Ohana

Victor Ohana
Repórter do site de CartaCapital

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