Política

Planalto atua para esvaziar CPI do MST; oposição discute relator e vai mirar lideranças do movimento

A demora da articulação política do governo Lula em demover a instalação da comissão desagradou lideranças do movimento

Monumento criado por Oscar Niemeyer em homenagem a Antonio Tavares e vítimas do latifúndio. Foto: Wellington Lenon MST-PR
Apoie Siga-nos no

Avalizada pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), a CPI contra o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra colocou o Palácio do Planalto diante de uma encruzilhada. A demora da articulação política do governo em demover o deputado alagoano da instalação da comissão desagradou lideranças do movimento, aliado histórico do PT e do presidente Lula.

Logo após a leitura do requerimento – primeiro passo à criação do colegiado -, integrantes da base aliada passaram a articular estratégias para esvaziar a CPI ou, em última instância, impedir sua instalação. O movimento conta com o apoio “tardio”, segundo os sem-terra, do Planalto.

A primeira estratégia, apurou CartaCapital, é tentar atrasar a indicação dos parlamentares para integrar o colegiado. Depois que o requerimento é lido, os partidos precisam comunicar à presidência da Câmara quais os deputados permanentes e suplentes serão escolhidos para a CPI.

Há ainda a possibilidade de o MST acionar o Supremo Tribunal Federal contra a comissão. O argumento é o de que o requerimento apresentado pelo deputado federal Tenente Coronel Zucco (Republicanos-RS) não possui um objeto bem definido, conforme estabelece a Constituição – o discurso, vale lembrar, se assemelha ao que tem dito o ministro Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário).

Entre parlamentares do PT ligado à questão agrária também existe uma crítica ao governo por “depositar as atenções apenas na CPMI do Golpe”. O colegiado deve mirar as ações bolsonaristas que desembocaram na invasão dos prédios dos Três Poderes, em 8 de janeiro.

O governo não fez nada, a bancada do PT não discutiu nada. É claro que temos preocupação com a comissão [mista dos atos golpistas], mas ainda assim era esperado mais atenção”, afirmou à reportagem um parlamentar sob reserva. “Nós vamos enfrentá-los [os deputados da oposição] cara a cara, mas é bom lembrar que só o núcleo agrário do partido tentou barrar”.

Enquanto governistas tentam esvaziar a comissão, parlamentares da oposição, por outro lado, articulam-se para encorpar a ofensiva contra o movimento. A ideia é mirar lideranças do MST que têm anunciado as iniciativas em diversas localidades do País, a exemplo de João Pedro Stédile.

Atualmente, três nomes são cotados para a relatoria da CPI:

  • Ricardo Salles (PL-SP): ex-ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro
  • Evair de Melo (PP-ES): deputado federal no terceiro mandato, é ligado ao agro no estado
  • Kim Kataguiri (União-SP): conhecido como fundador do Movimento Brasil Livre

Proponente da investigação, Zucco deve ficar com a presidência da comissão. O parlamentar disse à reportagem que espera iniciar os trabalhos na próxima semana e destacou que a CPI deverá seguir “uma linha técnica e responsável”.

“Nós vamos propor uma investigação coerente com o objeto do requerimento. Vamos analisar o que aconteceu nos últimos três meses. Tivemos invasões em vários estados, temos declarações irresponsáveis de lideranças do movimento, então eu acredito que iremos trabalhar para entender o que está por trás desta onda de ações”, pontuou.

Questionado sobre o movimento do Planalto para esvaziar a CPI, Zucco descartou a possibilidade de um recuo de Lira na instalação, para o qual tem “trabalhado com muito diálogo e compromisso com os parlamentares, independente se forem da oposição ou não”.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , , , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Um minuto, por favor…

O bolsonarismo perdeu a batalha das urnas, mas não está morto.

Diante de um país tão dividido e arrasado, é preciso centrar esforços em uma reconstrução.

Seu apoio, leitor, será ainda mais fundamental.

Se você valoriza o bom jornalismo, ajude CartaCapital a seguir lutando por um novo Brasil.

Assine a edição semanal da revista;

Ou contribua, com o quanto puder.