Para Bolsonaro, Nordeste quer dividir o País e imprensa é desinformação

Em entrevista, presidente afirmou que busca 'conciliação' do País e de interesses em relação ao próximo procurador-geral da República

Jair Bolsonaro (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Jair Bolsonaro (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Política

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo publicada nesta terça-feira 6, que a maioria dos governadores do Nordeste buscava uma divisão da região ‘contra o resto do Brasil’, e afirmou que procura um Procurador-Geral da República que não seja um ‘xiita ambiental ou de minoria’.

Bolsonaro, que esteve em Sobradinho, na Bahia, para participar da abertura de uma usina elétrica na cidade, recentemente se envolveu em uma polêmica por ter nomeado os governadores do Nordeste de ‘paraíbas’ enquanto criticava o chefe do executivo maranhense, Flavio Dino (PCdoB). O presidente, no entanto, não se preocupa com os impactos de suas falas. “Paciência. Já sabiam que eu era assim. A gente procura se polir um pouco mais, mas acontece”, disse.

Governadores nordestinos se manifestaram contra o ocorrido em carta, dizendo que haviam recebido os comentários com “espanto e profunda indignação” para depois pedirem explicações ao presidente sobre o ocorrido. Logo depois, Bolsonaro afirmou, em visita à Bahia, que amava o Nordeste. Apesar das consequências de suas falas, Bolsonaro afirmou que seu governo era conciliador – “o PT lançou a divisão entre nós”, disse.

Na entrevista, ao criticar a oposição de esquerda, Bolsonaro afirmou que negros, indígenas, a comunidade LGBT e ‘o povo do Nordeste’ seriam usados para atingir objetivos. “Ela [a esquerda] pega as minorias e usa. Procura um afrodescendente com a cabeça no lugar. Por que ele foi beneficiado com as políticas de cotas do passado? Benefício nenhum, zero”, disse. Quando questionado sobre as notícias que lia, citou uma fala que não era sua, mas na qual acreditava: “Quem não lê jornal, não está informado. Quem lê, está desinformado”.

As questões ambientais, em pauta particularmente pelos dados alarmantes do desmatamento na Amazônia, negados por Bolsonaro – que não são de jornais, e sim de satélites – e pela desoneração do diretor do INPE, órgão responsável pelo monitoramento, também foram comentadas pelo presidente. Em específico, o presidente definiu à reportagem que não procura um ‘xiita’ (termo pejorativo associado erroneamente a fanatismo) ambiental para o cargo de procurador-geral da República, já que Raquel Dodge, que exerce o cargo atualmente, deve sair até setembro.

Para Bolsonaro, é necessário alguém que ‘queira ajudar o Brasil com suas ações’ e que esteja articulado ao governo, apesar da crescente impopularidade. “Essa decisão passa pela minha caneta Bic, pô. […] Quero uma pessoa que vá ao Parlamento e converse comigo, converse contigo da imprensa e ajude a tirar o Brasil dessa situação.”

 

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