Política

O silêncio dos bolsonaristas nas trincheiras das redes sociais diante dos escândalos envolvendo o ex-capitão

Levantamento mostrou que menções ao ex-presidente na última sexta-feira 11 corresponderam a menos da metade das citações envolvendo Bolsonaro em seu retorno dos EUA

O ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: Evaristo Sá/AFP
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Um levantamento feito pelo O Globo mostrou que Jair Bolsonaro (PL) tem recebido cada vez menos apoio de aliados nas redes sociais, principal local de embate político bolsonaristas dos últimos anos. 

A análise nos perfis de deputados federais e senadores aliados ao ex-presidente mostra que as menções sobre o ex-presidente nas redes minguaram desde o 8 de Janeiro, mesmo em dias considerados mais críticos ao ex-capitão. 

Segundo especialistas entrevistados para o estudo, o silêncio dos aliados pode dificultar a criação de uma “estratégia de defesa” bolsonarista nas redes. 

Após a deflagração da operação da Polícia Federal, nesta sexta-feira 11, que mirou auxiliares de Bolsonaro para traçar os caminhos utilizados para a venda de presentes recebidos pela União em viagens internacionais, apenas a deputada Bia Kicis (PL) mostrou suporte ao ex-presidente em publicações. 

Em comparação, durante os ataques de 8 de Janeiro, 28 parlamentares se ergueram em defesa do ex-capitão, minimizando a tentativa de golpe de Estado. 

O apoio foi minguando a cada novo escândalo, como a prisão de Mauro Cid; a denúncia de Marcos do Val (Podemos) sobre uma reunião de cunho golpista com a participação de Bolsonaro; a prisão e delação do hacker Wagner Delgatti, que afirmou que Carla Zambelli (PL) e o ex-capitão encomendaram um ataque aos sistemas eleitorais; e, a prisão de Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, acusado de interferir no fluxo de eleitores no segundo turno das eleições.

A ordem para que parlamentares do PL se manterem em silêncio, enquanto vinham à tona detalhes sobre a negociação dos presentes recebidos por Bolsonaro, teria partido do presidente da sigla, Valdemar Costa Neto. 

Ele que havia tentado blindar o nome do maior puxador de votos do partido, não se manifestou em defesa do ex-presidente. 

Um levantamento feito pela consultoria Bites a pedido do O Globo mostrou que Bolsonaro tem perdido relevância nas redes sociais. Após o pico de menções do ex-capitão no 8 de Janeiro, os números vêm caindo progressivamente. 

Na última sexta, entre as 50 postagens sobre Bolsonaro com maior repercussão no Twitter, apenas quatro eram de apoiadores do ex-presidente, ainda segundo a Bites.

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