Política

O que impede a aliança entre Lula e Kalil em Minas

Deputados do PSD reprovam a união com o PT e ainda defendem o apoio à reeleição de Bolsonaro e, em certa medida, a de Zema

Imagens: Reprodução
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O PT avalia que a aliança formal entre o pré-candidato ao governo de Minas Alexandre Kalil (PSD) e o ex-presidente Lula (PT) ainda não foi concretizada porque o partido do ex-prefeito de Belo Horizonte tem ‘boicotado’ a união para a eleição de outubro deste ano.

Um dos impasses se encontra na busca por uma candidatura única ao Senado. Os petistas defendem o nome do deputado federal Reginaldo Lopes enquanto o partido presidido por Gilberto Kassab quer Alexandre Silveira.

Nesta semana, Lula esteve em Minas Gerais, mas não encontrou com o possível aliado. Já Kalil chegou a afirmar  que não quer apenas ‘acenos’ do petista.

“O que Alexandre Kalil quer é uma aliança formal com o ex-presidente Lula. Quero deixar muito claro isso”, disse em entrevista ao UOL. “Eu não tenho problema nenhum de andar com o presidente Lula. Agora, o que eu não quero é ir sem mão dada, sem aliança. Isso tecnicamente prejudica a campanha”.

As declarações de Kalil, no entanto, esbarram na posição de parte da bancada do PSD em Minas, que reprova a união com o PT e ainda defende o apoio à reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL) e, em certa medida, do atual governador Romeu Zema (Novo).

“O Kalil está com um grande problema que é o PSD de Minas. O partido no estado é composto majoritariamente por deputados federais que são bolsonaristas e até zemistas”, afirmou o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) em conversa com CartaCapital. “Se depender desses deputados, eles rifam o Kalil”.

De acordo com o deputado, o PT estaria disposto a formalizar a aliança mesmo com as duas candidaturas ao Senado mantidas.

“O Kalil quer [a aliança] porque isso garante o tempo de TV e também uma possibilidade real de vitória. O PT também quer para ampliar a base de Lula para setores de centro”, avaliou, “mas o Kalil está com um problemão dentro do PSD, pois  pode ter o boicote desses deputados”.

Pesquisa do instituto DataTempo, divulgada na terça-feira 10, mostra que Zema venceria a disputa no primeiro turno, caso a eleição acontecesse hoje. De acordo com o levantamento, o governador tem 43,5% das intenções de voto, seguido por Kalil, que tem 22,8%. Considerados apenas os votos válidos, Zema tem 57,1% e o ex-prefeito, 29,8%.

Em desvantagem na corrida eleitoral, Kalil disse em fevereiro que precisa mais do Lula do que “o Lula precisa dele”. Um levantamento da Quaest, publicado em março, revelou que, com o apoio do petista, Kalil aparece à frente de Zema na disputa.

Sem a aliança com Lula, o ex-prefeito de Belo Horizonte teria, segundo a pesquisa, apenas 33% das intenções, ante 49% de Zema. Quando aparece ao lado do ex-presidente, o resultado se inverte e dá a Kalil 49% da preferência do eleitorado, derrubando Zema, apoiado por Jair Bolsonaro (PL), para 35% das intenções de voto.

O cenário no estado tende a repetir a polarização nacional entre Lula e Bolsonaro. Zema tem negado o apoio do atual presidente, mas o PT acredita que, caso Lula esteja com Kalil, as circunstâncias empurrarão o atual governador para Bolsonaro.

A indefinição no PSD de Minas também fez o PT e aliados se movimentarem. O presidente do Solidariedade, Paulinho da Força, admitiu que tem tentado um acordo com Zema.

“Eu venho fazendo esse papel. Estou tentando ampliar a aliança nos estados com personalidades da política. Em Minas, por exemplo, tenho conversado com a turma do Romeu Zema e, na Bahia, com o ACM Neto”, disse ao Estadão.

A ação é vista como uma forma de pressão para que Kassab atue de forma mais incisiva no PSD de Minas. “O Kalil precisa que o PSD nacional dê esse respaldo”, afirmou Correia.

Minas, que é o segundo maior colégio eleitoral do País, é vista como estratégica para a eleição nacional. Desde 1989, o presidente eleito é o que leva mais votos no estado.

Alisson Matos

Alisson Matos
Editor do site de CartaCapital. Twitter: Alisson_Matos

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