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‘O bloqueio é uma arma de guerra tão poderosa quanto a bomba atômica’, diz Lula sobre sanções à Rússia

Para o ex-presidente, todos os envolvidos no conflito na Ucrânia erraram antes da deflagração do conflito

Foto: Reprodução
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O ex-presidente Lula (PT), nesta terça-feira 5, voltou a criticar a deflagração da guerra entre Rússia e Ucrânia. Segundo defendeu em evento com Martin Schulz, ex-presidente do Parlamento Europeu, todos os envolvidos no conflito erraram ao não optar por uma via diplomática antes de escalarem para a violência e bloqueios. O petista criticou ainda a pouca efetividade na forma de organização das Nações Unidas e a adoção de sanções que afetam a economia e em escala global.

“Essa guerra começou equivocada e desnecessária. O Putin errou na deflagração, mas acho que os americanos e os europeus erraram muito”, avaliou. “Outro dia eu disse que era uma guerra que poderia ter sido resolvida antes de acontecer tomando uma boa cerveja. Isso porque a gente sabe qual o interesse dos Estados Unidos, da Europa, da Rússia e da Ucrânia. Não tem segredo nesses interesses e, por isso, deveria ter sido mais negociada”, acrescentou o ex-presidente.

Ainda sobre a guerra, o brasileiro fez fortes críticas às sanções impostas por países ocidentais à Rússia. Segundo explicou, as medidas teriam um potencial destrutivo maior do que o necessário porque afetam mercados e pessoas que sequer estão envolvidos na guerra.

“Quem está morrendo é quem não está na guerra. O bloqueio é uma arma de guerra tão poderosa quanto a bomba atômica, ele não está prejudicando o russo ou os Estados Unidos. No fundo, ele está, no caso da América do Sul, bloqueando quase todos os países por conta não só do preço do petróleo, mas da proibição dos fertilizantes”, destacou.

“Em outras guerras, bloqueiam os remédios. São sempre os mais fracos que morrem. Não é possível a gente utilizar os bloqueios assim. Os americanos têm o direito de fazer um bloqueio que diz respeito a ele, os europeus a mesma coisa, podem bloquear aquilo que eles compram e vendem, mas por que a Bolívia, por exemplo, tem que sofrer esse bloqueio?”, questionou.

Um pouco antes, Lula também atribuiu a escalada das tensões ao papel pouco efetivo das Nações Unidas. Para o ex-presidente, a forma como a ONU se organiza estaria ultrapassada.

“A ONU de 1948 já não serve mais, pois não representa os anseios da humanidade. Um exemplo que os alemães amam, que é a questão ambiental. Não adianta nada fazer encontros e tomar decisões de caráter de proteção e depois permitir que essa decisão só seja cumprida se o estado nacional aprovar”, criticou. “Os Estados Unidos são um exemplo disso, não aprovaram nem o Protocolo de Kyoto”, ressaltou Lula, que destacou ainda que essa pouca efetividade do grupo foi observada ainda na distribuição desigual das vacinas contra a Covid-19.

“A ONU deveria ser um órgão com autoridade moral para garantir que uma parte da produção fosse distribuída em igualdade de condições para todo ser humano, independente se fosse pobre, rico, preto, branco, africano ou latino-americano”, destacou.

A posição de Schulz

Logo após a participação de Lula, o ex-presidente do Parlamento Europeu, o alemão Martin Schulz, discursou e disse concordar em quase 100% com o brasileiro. A ressalva, segundo explicou, está no ‘peso dos culpados’. Para ele, Vladimir Putin foi o único a romper com a via diplomática.

Foto: Reprodução

“Sobre a guerra, compartilho da sua opinião, poderia ter sido evitada, mas foi a Rússia que trilhou esse caminho unilateral. Foi ela quem deixou a diplomacia e partiu para a guerra. Ela escolheu essa via”, explicou Schulz ao considerar que Europa, Otan e Estados Unidos sempre foram favoráveis ao diálogo.

Ao tratar do papel da ONU, o eurodeputado também reforçou a necessidade de se rever a forma de organização, em especial, no que diz respeito aos vetos de países.

“Putin ignora tratados e nesta situação poderíamos convocar o Conselho de Segurança da ONU e condenar esse tipo de atitude, mas por que isso não acontece? Porque a Federação Russa não apoia essa resolução e bloquearia com seu poder de veto”, destacou.

“Estamos presenciando a organização internacional multilateral mais importante que estrutura nosso mundo, as Nações Unidas, levar as coisas ao absurdo. Compartilho sua opinião em 100%”, acrescentou Schulz.

O alemão destacou ainda que não é apenas Putin que contribuiu para que esse papel da ONU se tornasse pouco efetivo, mas sim ‘todos os governos ultra-conservadores de extrema-direita’, como foi Donald Trump nos Estados Unidos.

Make America Great Again e America First, as frases de Trump. ‘Estados Unidos primeiro e o resto que se dane!’. Isso é simbólico e não se limita aos Estados Unidos. Isso existe por toda parte, inclusive na América Latina e Europa. Putin, ao meu ver, faz parte desse tipo de política”, avaliou.

Getulio Xavier

Getulio Xavier
Repórter do site de CartaCapital

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