Na Alesp, PSDB fica 3 dias em fila para barrar investigação

O partido dos tucanos barrou a criação de uma CPI sobre a Dersa e escândalos de corrupção protagonizados pelo engenheiro Paulo Preto

Gilberto Marques/Governo de São Paulo

Gilberto Marques/Governo de São Paulo

Política

Em uma estratégia inusitada na Assembleia Legislativa de São Paulo, o PSDB conseguiu barrar a criação de uma CPI sobre a Dersa. O ex-diretor da estatal paulista de infraestrutura rodoviária , Paulo Vieira de Souza , conhecido como Paulo Preto e apontado como operador do PSDB, é acusado de manter R$ 100 milhões em espécie que seriam utilizados pela Odebrecht para pagar propina a políticos e irrigar campanhas eleitorais entre 2010 e 2011.

Em fevereiro, Paulo Preto foi preso na 60ª fase da Operação Lava Jato. Parlamentares do PT e do PSL – partido do presidente Jair Bolsonaro – se uniram para colher as assinaturas suficientes para a criação da CPI que investigaria o escândalo do governo tucano. Os partidos conseguiram coletar as 32 assinaturas suficientes e iriam protocolar na manhã desta segunda-feira 19.

Foi quando entrou a estratégia da base de João Doria para conseguir barrar essa investigação. Assessores parlamentares entraram na fila para protocolar CPIs na sexta-feira 15 e ficaram se revezando até a manhã desta segunda. Isso porque o regimento da casa determina que as CPIs serão instauradas na ordem em que forem protocoladas e apenas cinco delas são investigadas ao mesmo tempo. Com isso, o partido do governador conseguiu protocolar 11 comissões de uma só vez.

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O PT, que era o segundo da fila, protocolou a investigação sobre a Dersa, mas na ordem é apenas o 12º colocado. A Casa ainda tem que conferir as assinaturas de todas as CPIs protocoladas para verificar se elas cumprem os requisitos para serem levadas adiante. As investigações têm prazo de 120 dias e podem ser prorrogadas por mais 60 dias, somando um período máximo de seis meses de duração.

Se as 11 CPIs protocoladas pelo PSDB forem aceitas, a investigação da Dersa só vai acontecer daqui um ano, quando a lista chegar na 12º posição.

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Repórter do site de CartaCapital

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