Mourão: ‘lógico’ que o governo vai comprar a vacina chinesa

Vice-presidente diz que intriga é 'briga política com Doria' e afirma acreditar em um conspirador junto a Bolsonaro

O vice-presidente Hamilton Mourão e o presidente Jair Bolsonaro. Foto: EVARISTO SÁ/AFP

O vice-presidente Hamilton Mourão e o presidente Jair Bolsonaro. Foto: EVARISTO SÁ/AFP

Política

O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, disse em entrevista à Veja publicada nesta sexta-feira 30 que a disputa em torno da vacina Coronavac, desenvolvida pelo Instituto Butantan e pelo laboratório chinês Sinovac-Biotech, é uma briga política do presidente  Jair Bolsonaro com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Para ele, no entanto, “o governo vai comprar a vacina, lógico que vai.”

 

 

 

“Já colocamos os recursos no Butantan para produzir essa vacina. O governo não vai fugir disso aí.”, completou o vice, que afirmou que tomaria o imunizante sem maiores problemas a partir da aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Na entrevista, Mourão minimizou embates com o presidente e os rumores de que ele já estaria dispensado para concorrer como vice na chapa eleitoral de 2022. Ele acredita que há pessoas próximas ao presidente que ‘conspiram’ contra ele.

“Mas não me preocupa e não sei quem faz. É como diria o grande filósofo Ibrahim Sued: ‘Os cães ladram e a caravana passa’, meu amigo.”, afirmou.

Além disso, Mourão afirmou que os conflitos com Bolsonaro que se tornam públicos não o incomodam porque ele ‘tem vida’, ao contrário do presidente, que “sofreria” por não ter a liberdade citada pelo vice.

“Eu não estou preso nisso aqui. Infelizmente, o presidente Bolsonaro está preso. Ele não tem liberdade de ação e sofre para caramba com isso. São poucos os momentos que ele tem de liberdade. Já eu acordo às 5 horas, leio um pouco, faço o meu alongamento e meu exercício. Tomo meu café, vejo as notícias do dia.”, disse ao descrever a rotina.

Em relação a um dos seus campos de atuação direta, porém, o vice-presidente se esquivou das fortes críticas que é alvo. Presidente do Conselho da Amazônia, bioma que viu índices recordes de desmatamento nos dois anos de governo Bolsonaro até então, Mourão afirmou que a expressão “passar a boiada” não condiz com a realidade.

“Nós estamos no terreno trabalhando. Esse é um jogo de gato e rato. Imagina uma área de 5,2 milhões de quilômetros quadrados. Você tem fogo em 100 000 quilômetros quadrados dela. É pouco quando você olha para o tamanho da área, mas é muito para aquilo que a gente quer entregar.”, justificou-se.

 

 

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