Política

Moro diz que salário em consultoria que se beneficiou da Lava Jato é ‘questão privada’

A Alvarez & Marsal embolsou no mínimo 42,5 milhões de reais de alvos da operação protagonizada pelo então juiz de Curitiba

Foto: Reprodução/Redes Sociais
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O ex-juiz Sergio Moro (Podemos) afirmou que os valores embolsados por ele na passagem pela consultoria norte-americana Alvarez & Marsal representam uma “questão privada”, embora a empresa tenha recebido no mínimo 42,5 milhões de reais de companhias investigadas pela Lava Jato.

As informações sobre os ganhos da empresa vieram à tona na última sexta-feira 21, por decisão do ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União. O salário de Moro, no entanto, continua um mistério.

“Eu vou revelar meu salário, vou apresentar meu imposto de renda, declarar todos meus ganhos. Não mudei meu domicílio tributário do Brasil. Vou inclusive, no registro da futura candidatura, apresentar as declarações no TSE, em transparência ativa”, declarou o ex-ministro de Jair Bolsonaro ao jornal O Estado de S.Paulo.

Moro ainda disse que “não se curva” ao que chamou de “abuso”, em referência à investigação em curso no TCU sobre sua relação com a Alvarez & Marsal.

“Posso lhe assegurar, tanto como juiz, como ministro ou dentro do setor privado, que meu trabalho sempre foi, além de lícito, em favor da integridade. No setor privado meu trabalho não era defender empresa, era dar consultoria para empresas adotarem políticas antissuborno, compliance, due diligence, investigação corporativa interna. Posso lhe assegurar: jamais prestei qualquer serviço a Odebrecht ou qualquer empresa relacionada à Lava Jato”, acrescentou o ex-juiz.

Os 42,5 milhões recebidos pela empresa dos Estados Unidos de alvos da Lava Jato se dividem da seguinte forma:

  • 1 milhão por mês da Odebrecht e da Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial);
  •  150 mil da Galvão Engenharia;
  • 115 mil do Estaleiro Enseada (que tem como sócias Odebrecht, OAS e UTC);
  • e 97 mil da OAS.

O Ministério Público junto ao TCU e a Corte analisam o contrato entre Moro e a Alvarez & Marsal.

Em dezembro, o subprocurador-geral junto ao TCU, Lucas Rocha Furtado, já havia manifestado a intenção de compreender os termos da atuação do ex-juiz, sob suspeita de ter recebido para fornecer informações privilegiadas à consultoria. Moro, como magistrado, julgou e condenou executivos da Odebrecht, cliente da Alvarez & Marsal no processo de recuperação judicial. O ex-ministro de Bolsonaro está na mira do TCU por um suposto conflito de interesses.

Moro, contratado pela consultoria em 2020, foi anunciado pela própria empresa como sócio-diretor de Disputas e Investigações. Poucos meses depois, conforme manifestação do escritório ao TCU, ele foi “rebaixado” a “consultor”. Em outubro de 2021, para Moro se dedicar à pré-campanha pelo Podemos à Presidência, o contrato foi rescindido.

A fim de aprofundar as investigações, deputados da oposição começam a colher assinaturas para aprovar a instalação de uma CPI.

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