Moraes mandou PF analisar celulares de Sergio Reis e deputado bolsonarista durante operação

O ministro do STF determinou 'atuação célere e imediata, inclusive já no local em que se realiza a ação' desta sexta-feira 20

O ministro do STF Alexandre de Moraes. Foto: Andressa Anholete/AFP

O ministro do STF Alexandre de Moraes. Foto: Andressa Anholete/AFP

Política

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que seja ‘célere e imediata’ a análise dos equipamentos eletrônicos apreendidos nesta sexta-feira 20 em posse de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro.

 

 

Entre os alvos de ação deflagrada nesta sexta pela Polícia Federal estão o cantor Sérgio Reis e o deputado federal bolsonarista Otoni de Paula (PSC-RJ).

Na decisão, que acolhe pedido da Procuradoria-Geral da República, Moraes ordena “o acesso imediato e exploração do conteúdo dos documentos em qualquer suporte (físicos, mídias eletrônicas, servidores, nuvens, etc.) que se encontrem nos locais ou em poder dos requeridos ou das pessoas que com eles aí estiverem, propiciando atuação célere e imediata, inclusive já no local em que se realiza a ação”.

A PGR solicitou ao STF a abertura de inquérito contra Sergio Reis, Otoni de Paula, o caminhoneiro Zé Trovão e outras sete pessoas, entre elas empresários do agronegócio, classificando como um ‘levante’ os ‘atos violentos de protesto’ que o grupo quer convocar para a véspera do feriado de 7 de setembro.

“O objetivo do levante seria forçar o governo e o Exército a ‘tomar uma posição’ em uma mobilização em Brasília em prol do voto impresso, proposta que foi, recentemente, derrotada na Câmara dos Deputados, bem como a destituição dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Para tanto, pretendem dar um ‘ultimato’ no presidente do Senado Federal, invadir o prédio do Supremo Tribunal Federal, ‘quebrar tudo’ e retirar os magistrados dos respectivos cargos ‘na marra'”, registra trecho do pedido da PGR, reproduzido na decisão do ministro do STF.

O documento foi assinado pela subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo – braço-direito do chefe do órgão, Augusto Aras – e culminou nas buscas cumpridas pela PF. A PGR quer investigar a ‘convocação da população, através de redes sociais, a praticar atos criminosos e violentos de protesto às vésperas do feriado de 7 de setembro, durante uma suposta manifestação e greve de ‘caminhoneiros”.

A Procuradoria pediu a livre distribuição do inquérito, isto é, o sorteio entre todos os ministros. No entanto, o caso acabou no gabinete de Alexandre de Moraes, por prevenção. Segundo fonte que acompanha o caso, o STF deu esse encaminhamento porque Moraes já era relator de uma representação apresentada por senadores sobre o mesmo tema.

No documento de 22 páginas, Alexandre de Moraes não só mandou a PF fazer buscas, mas proibiu os investigados – com exceção de Otoni de Paula – de se aproximarem da Praça dos Três Poderes, dos ministros do STF e dos senadores da República. Além disso, ordenou o bloqueio de uma chave Pix (e da conta a ela vinculada) que, segundo a PGR, tem recebido ‘doações de particulares para financiar a paralisação’ planejada pelo grupo.

São alvos do inquérito, além de Sérgio Reis, Otoni de Paula e Zé Trovão, o cantor Eduardo Oliveira Araújo, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja Antonio Galvan, Wellington Macedo de Souza, que se apresenta como coordenador nacional da Marcha da Família, além de Juliano da Silva Martins e Bruno Henrique Semczeszm. Ao menos três deles – Sérgio Reis, Eduardo Araújo e Turibio Torres – estiveram em reuniões no Planalto na semana passada. No dia 12 de agosto, o assessor especial de Bolsonaro, Mosart Aragão, publicou nas redes sociais um vídeo do presidente ao lado de Sérgio Reis e Eduardo Araújo, no Palácio.

Leia a íntegra da decisão de Alexandre de Moraes:

INQ 4879 (1)

(Com informações da Agência Estado)

 

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