Política

Mobília ‘desaparecida’ do Alvorada é encontrada e reabre rixa entre os casais Lula e Bolsonaro

O embate teve início ainda no período de transição, quando Lula e Janja reclamaram do estado dos móveis da residência e levantaram suspeitas sobre um possível extravio

Fotos: Miguel Schincariol / AFP e EVARISTO SA / AFP
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A Presidência da República encontrou cerca de 261 itens do Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente brasileiro, que supostamente estavam desaparecidos e motivaram acusações de Lula (PT) e da primeira-dama Rosângela Silva contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sua esposa.

A informação foi publicada nesta quarta-feira pelo jornal Folha de S. Paulo, que teve acesso a um relatório produzido pela Comissão de Inventário Anual da Presidência com base na Lei de Acesso à Informação. O ‘desaparecimento’ foi um dos argumentos a mobília do Alvorada fosse renovada no início do governo.

O embate entre os casais presidenciais teve início ainda no período de transição, quando Lula e Janja reclamaram do estado dos móveis da residência e levantaram suspeitas sobre um possível extravio cometido pelos antigos inquilinos.

Lula chegou a dizer, em janeiro de 2023, que Bolsonaro e Michelle “levaram tudo”, dando início então a uma intensa troca de farpas. “Não sei se eram coisas particulares do casal, mas levaram tudo. Então, a gente está fazendo a reparação, porque aquilo é um patrimônio público”, afirmou o presidente a jornalistas.

O suposto sumiço dos móveis, aliás, foi o responsável por deixar o petista morando quase 40 dias em um hotel de Brasília mesmo após a posse presidencial.

A primeira-dama Janja chegou a levar uma equipe da GloboNews para mostrar que o palácio estava em condições inabitáveis após a desocupação pelos antigos moradores. Na ocasião, percorreu todo o local e expôs a presença de manchas em carpetes, danos a obras de arte e a falta de mobília na residência.

À época, a Presidência da República comunicou que 261 bens do patrimônio da residência oficial estavam desaparecidos. Tempos depois, a partir de um levantamento do inventário, os itens do mobiliário caíram para 83 móveis. Agora, de acordo com a Folha, o trabalho da Comissão de Inventário concluiu que nenhum item havia desaparecido.

Em nota, a Secretaria de Comunicação do governo Lula afirmou que os móveis estavam “nas diversas dependências” do Alvorada e disse que a aquisição dos novos bens foram fundamentados na legislação vigente.

“Os móveis que foram comprados para viabilizar a mudança do presidente ao Palácio do Alvorada foram os imprescindíveis para recompor o ambiente do Palácio de acordo com seu projeto arquitetônico, e não são necessariamente de mesma natureza dos itens do relatório citado. Foram comprados para recompor o ambiente do Palácio que estava deteriorado, como foi mostrado inclusive por jornalistas”, informou.

Nas redes sociais, o ex-presidente Jair Bolsonaro escreveu que Lula cometeu “falsa comunicação de furto” ao levantar suspeitas contra o casal Bolsonaro. Michelle, por sua vez, disse à Folha que o suposto sumiço era “cortina de fumaça”.

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