Economia

Lula: ‘Não tenho que ser esquerda, direita ou centro, tenho que ser presidente’

Petista, no entanto, voltou a falar em rever a reforma trabalhista e abolir o teto de gastos como pontos principais de um possível novo governo

Foto: Ricardo Stuckert
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O ex-presidente Lula (PT) respondeu nesta terça-feira 26 os questionamentos sobre qual será a posição ideológica de um possível novo governo a partir de 2023, caso vença a eleição deste ano. Em conversa com blogueiros e youtubers, o petista evitou dizer se será um presidente ‘mais à esquerda’ do que foi nos seus dois primeiros mandatos.

“Necessariamente, eu não tenho que ser um presidente mais à esquerda, direita ou ao centro, tenho que ser presidente“, afirmou. “Tenho que conhecer a realidade e o que precisa ser feito”.

Em outro momento, Lula explicou que suas políticas seguirão o que sempre defendeu, e negou que criará uma nova versão de si para governar. “Que Lula vai voltar, de 2002 ou 2010? É o Lula que o útero da dona Lindu colocou no mundo, igualzinho, com um pouco mais de maturidade e de aprendizado”, destacou.

O ex-presidente também repetiu as promessas de que irá revogar o teto de gastos e criar uma nova versão da reforma trabalhista. “Quando falamos em rever a reforma trabalhista ficaram assustados. Mas temos que criar uma reforma que esteja adaptada à atual realidade do mundo do trabalho”, ressaltou. “Não queremos tudo o que tínhamos conquistado em 1943. Queremos mudança que leve em conta os direitos que a sociedade tem que ter”.

Na conversa, o ex-presidente citou ainda alguns  pilares pelos quais devem passar seu novo plano de governo. “Todo mundo tem que ter direito ao descanso remunerado, saber quanto vai ganhar por mês, ter seguridade social. É isso que vamos ter que discutir”.

Sobre o teto de gastos, o petista disse mais de uma vez ser contra a medida por entender que ela privilegia apenas o sistema financeiro. “Todo mundo sabe que sou contra. É uma questão de responsabilidade do governo, não precisa de lei. A lei foi feita para garantir que o sistema financeiro receba sua parte. Eu quero saber quando vamos ter lei para que o povo receba sua parte”.

Reforma do Congresso

Ainda na entrevista, Lula condicionou as mudanças na legislação a uma mudança no perfil atual do Congresso Nacional. Conforme destacou, o governo federal só poderá aprovar as revogações e mudanças caso a centro-esquerda garanta a maioria das cadeiras da Câmara e do Senado.

“Se você não construir maioria que garanta governança, a gente não consegue”, alertou. “Nesta campanha, vou dar mais importância à questão de [eleger] deputados que a própria campanha presidencial. Não adianta votar em um presidente se não votar em uma quantidade de deputados que pensam ideologicamente igual ao presidente para fazer as mudanças”, complementou em seguida.

Pesquisas eleitorais

Lula também voltou ainda a avaliar as pesquisas eleitorais que o mostram na liderança na disputa contra Jair Bolsonaro (PL). De acordo com o petista, pelo resultados, é possível prever que ele irá vencer o pleito, mas ainda resta dúvidas se a confirmação virá no primeiro ou no segundo turno.

“Estou ciente de que temos todas as condições para ganhar as eleições. As pesquisas dizem isso todo dia. Se vai ser no primeiro ou no segundo turno, não sei. Nunca ganhei no primeiro, sempre foi no segundo…mas não vejo problema nisso porque o PT foi um dos partidos que brigou para que houvesse dois turnos”, destacou.

O ex-presidente repercutiu ainda os ataques que sofre diariamente por Bolsonaro e seus aliados, além de críticas vindas de candidaturas da chamada terceira via.

“Eu apanho todo dia de Bolsonaro e ele tem uma razão para me bater: está com medo que eu ganhe as eleições no primeiro turno”, afirmou. “Os outros que estão com 1, 2, 3, 4 ou 5% batem muito em Bolsonaro para não deixar ele ir para o segundo turno, mas também batem em mim para que eu não ganhe no primeiro turno”, disse. “Eu apanho de todos os lados. Mas como tenho as costas salgadas porque já apanhei demais na minha vida, estou muito tranquilo”, ironizou logo em seguida.

 

Getulio Xavier

Getulio Xavier
Repórter do site de CartaCapital

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