Justiça

Lula: “estou interessado na minha inocência, não em debate de 2ª instância”

Supremo começa nesta quinta-feira 17 a julgar decisão sobre prisão em 2ª instância, que poderia beneficiar Lula

Foto: Ricardo Stuckert
Foto: Ricardo Stuckert

Um dia antes de o Supremo Tribunal Federal votar pela constitucionalidade da prisão após decisão em 2ª instância, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista ao UOL, que não está interessado nesse debate: “Eu estou interessado na minha inocência. […] Se vai ser um ano a mais ou um ano a menos, se vou ficar aqui ou em outro lugar, não importa. Nada me interessa a não ser a minha inocência”, disse.

Uma possível decisão do Supremo que revertesse a interpretação de prisão após condenação em 2ª instância – dada pela mesma Corte em 2016 -, poderia beneficiar Lula no processo do triplex do Guarujá.

Em mais uma entrevista cedida na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, Lula afirmou que o procurador Deltan Dallagnol e o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, procuraram por maneiras de tirá-lo da “disputa política” e de “destruir o PT”.

O conteúdo das mensagens reveladas primeiramente pelo portal The Intercept Brasil mostram, desde junho de 2019, relações questionáveis e infrações éticas cometidas por procuradores da República em relação aos processos na Lava Jato.

“Não tem meio-termo comigo. O que eles vão fazer? Antigamente, era mais fácil. Mandava esquartejar, salgar, pendurar no poste. Cometeram a bobagem de me prender, cometeram a bobagem de me acusar, agora vão ter que suportar esse peso aqui dentro”, diz.

Além disso, o ex-presidente disse que o STF não deveria tomar decisões baseadas na opinião pública. Lula menciona o fato por conta da grande campanha contra o Supremo e contra sua figura por parte de setores governistas e de partidos à direita, e ressalta que o STF deve levar em consideração apenas o que consta na lei brasileira – que determina a prisão somente após todos os recursos terem sido julgados.

“Essas pessoas que têm uma função de Estado não podem funcionar sob a pressão, sob a perseguição da opinião pública. Só faltava a Suprema Corte convocar uma pesquisa do Ibope para saber o que pensa o povo sobre determinadas coisas”, falou.

Debate no STF começa nesta quinta 17

A Suprema Corte inicia, nesta quinta-feira 17, os debates sobre a constitucionalidade da prisão após condenação em 2ª instância.

O relator do processo, ministro Marco Aurélio Mello, deve iniciar a leitura de seu voto somente na próxima semana porque, primeiramente, haverá a sustentação oral de advogados a favor e conta a tese analisada. A Advocacia-Geral da União e a Procuradoria-Geral da República também se manifestam.

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