Economia
Líderes tentam reabrir diálogo entre Lula e Alcolumbre para destravar o fim da 6×1
Prossegue a aposta em negociação com o amapaense, mas uma série de derrotas na Casa faz uma ala do governo apostar em apelo ao STF
A promessa do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), de que a PEC que acaba com a escala 6×1 será encaminhada ainda nesta semana à Comissão de Constituição e Justiça do Senado abriu uma nova frente na tentativa do Palácio do Planalto de reconstruir a relação entre o presidente Lula (PT) e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). O avanço da proposta é visto por governistas como um possível gesto de distensão após uma sequência de eventos que ampliou o desgaste entre os dois.
Nos últimos meses, a relação entre Lula e Alcolumbre se deteriorou em meio a variadas disputas. O episódio que mais abalou o Palácio do Planalto foi a rejeição de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Foi a primeira vez desde 1894 que o Senado recusou uma indicação presidencial para a Corte, resultado que expôs fragilidades da articulação do governo e aprofundou a insatisfação de Lula com a condução da Casa.
A crise ganhou novos capítulos na semana passada. O Senado aprovou o projeto de renegociação de dívidas do setor rural, considerado pelo Ministério da Fazenda uma “pauta-bomba”. Alcolumbre também deu andamento a propostas da oposição para sustar regras editadas pelo governo sobre o Marco Civil da Internet, ampliando a percepção entre governistas de que o presidente do Senado tem usado a pauta da Casa para pressionar o Planalto.
As derrotas governistas, porém, se acumulam desde o ano passado, quando Lula viu o Congresso derrubar decretos que elevaram o IOF, perdeu a presidência da CPMI do INSS por falhas de articulação e assistiu à derrubada do veto ao projeto da dosimetria aos golpistas de 8 de Janeiro de 2023.
Apesar do clima de confronto, governistas têm trabalhado para aproximar Lula e Alcolumbre. Líderes como Randolfe, o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), defendem que o presidente faça um gesto e agende uma conversa formal com o senador amapaense assim que voltar do encontro do G7, na quinta-feira 18. A avaliação é que a falta de interlocução direta tem alimentado a crise.
Mesmo assim, o governo já trabalha com alternativas caso a relação continue em baixa. Uma delas é tentar barrar ou retardar na Câmara propostas aprovadas pelo Senado consideradas prejudiciais às contas públicas. Outra é recorrer ao STF para questionar medidas de impacto fiscal que avancem no Congresso. A Advocacia-Geral da União estuda a viabilidade jurídica dessa estratégia.
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