Justiça do DF retira tornozeleira de hackers acusados de invadir celulares de Moro

Os suspeitos continuam, porém, proibidos de acessar a internet

Walter Delgatti assumiu sozinho 
a autoria do crime. (Foto: Daniel Marenco/Agência O Globo)

Walter Delgatti assumiu sozinho a autoria do crime. (Foto: Daniel Marenco/Agência O Globo)

Política

A Justiça Federal do Distrito Federal permitiu, nesta quarta-feira 1, a retirada da tornozeleira eletrônica dos hackers Walter Delgatti Neto, Danilo Cristiano Marques e Gustavo Henrique Elias Santos, que cumprem pena pela captura  de mensagens virtuais do ex-ministro Sergio Moro e de outras autoridades.

Oficialmente, a decisão foi tomada após a Justiça da cidade de Araraquara (SP), onde moram os acusados, informar não ser possível realizar o monitoramento eletrônico.

O juiz federal da 10ª Vara Federal de Brasília, Ricardo Augusto Soares Leite, determinou que os hackers  se apresentem mensalmente em juízo para fiscalização do cumprimento da pena em regime semiaberto e a manutenção de outras medidas cautelares impostas. No caso de qualquer descumprimento, os réus devem voltar ao regime fechado.

O magistrado também entendeu se necessário “uma maior fiscalização quanto ao acesso à internet pelos réus, tanto para monitorar aqueles que estão proibidos, quanto os que possuem parcial ou nenhuma limitação”.

“As defesas deverão informar a este Juízo, no prazo de 10 (dez) dias, endereço residencial completo, marca, modelo e IP de computadores que possuam em suas residências ou trabalho, e marca, modelo, IMEI e número de celulares pessoais”, afirma trecho da decisão.

Walter Delgatti, Thiago Eliezer Martins Santos e Gustavo Santos estão proibidos de acessar a internet; Danilo Cristiano Marques possui permissão de acesso à internet para realização de curso e Luiz Henrique Molição e Suelen Priscila, não estão submetidos à medida.

O juiz ainda requisitou encaminhamento de ofício às operadoras de telefonia e internet para monitoramento eletrônico dos acusados. “Encaminhar os dados referentes a computadores e celulares informados pelas defesas, para que elaborem relatório e informem mensalmente a este Juízo sobre o acesso à internet: endereços eletrônicos consultados pelos réus, logs de conexão (seja por computador ou celular) e redes sociais”, determina o magistrado.

O grupo foi preso em julho de 2019, durante a Operação Spoofing. À época, Walter Delgatti Neto, admitiu à PF que entrou nas contas de procuradores da Lava Jato e confirmou que repassou mensagens ao site The Intercept Brasil. Ele disse não ter alterado o conteúdo e não ter recebido dinheiro por isso. Parte das mensagens foi publicada no site, a partir de junho de 2019.

Operação 2022

Uma série de documentos sigilosos obtidos por Glenn Greenwald e CartaCapital mostra que a Polícia Federal, antes comandada por Moro e hoje aparelhada pelo bolsonarismo, levanta hipóteses absurdas para desvendar a suposta identidade de um mandante, ou financiador, da captura de mensagens dos procuradores da Operação Lava Jato e do ex-juiz Sergio Moro que resultou na Operação Spoofing e na série de reportagens da Vaza Jato.

Um grupo de agentes da Polícia Federal do Distrito Federal tenta emplacar uma tese fantasiosa, segundo a qual os hackers que invadiram os celulares estavam a serviço de um outro mandante: o ex-ministro petista Antonio Palocci, que teria oferecido 300 mil reais em troca do acesso a informações que o favorecessem em processos.

mostra que agentes da Polícia Federal do Distrito Federal tenta emplacar uma tese fantasiosa, segundo a qual os hackers que invadiram os celulares estavam a serviço do ex-ministro petista Antonio Palocci

A  história baseia-se única e exclusivamente no relato de um jovem de 19 anos que passou meses encarcerado e conquistou o benefício da prisão domiciliar logo após delatar os amigos e o “mandante petista”. Embora não tenha participado do hackeamento dos celulares, Luiz Henrique Molição, o mais jovem dos seis indiciados pela PF na Spoofing, afirmou, em novembro de 2019, ter ouvido de Walter Delgatti Neto e Thiago Eliezer, apontados como chefes da “quadrilha”, que “as invasões tiveram início para obter material que pudesse beneficiar Antonio Palocci Filho em possível negociação de acordo de delação premiada que havia sido descartada pelo Ministério Público Federal e encontrava-se em negociação junto ao Departamento de Polícia Federal”.

Desde os primórdios da investigação, Delgatti Neto confessou ser o responsável pelo ataque e ter agido por conta própria, mas a PF insiste em procurar outro culpado. Além do que “ouviu dizer”, Molição apontou o que seria a conexão entre o ex-ministro petista e Delgatti: Luanna Costa, uma “sobrinha de Palocci” que mais tarde os investigadores da Spoofing descobriram não ter parentesco ou relações com o petista. Apesar disso, o Núcleo de Análise da PF produziu um relatório de três páginas sobre ela. Por quê? Leia a reportagem completa.

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Repórter do site de CartaCapital

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