…

Jair Bolsonaro é eleito presidente da República

Política

Jair Bolsonaro, do PSL, acaba de ser eleito pela maioria dos brasileiros para ocupar a Presidência da República pelos próximos quatro anos.

Notório defensor da ditadura, adepto de uma postura bélica contra seus adversários e com histórico de diversas agressões verbais a mulheres, homossexuais, indígenas e quilombolas no currículo, ele recebeu 55,6% dos votos até o momento, com mais de 90% das urnas apuradas. Fernando Haddad, do PT, tem 44,4% e não pode mais alcançar seu adversário. 

Leia também:
A trajetória política de Jair Bolsonaro
A trajetória política de Fernando Haddad

O segundo turno da disputa entre o candidato do PSL e o petista foi marcado pela ausência de debates, já que Bolsonaro alegou não estar em boas condições de saúde, apesar da liberação médica para participar dos confrontos televisivos. Foi a primeira vez desde a redemocratização que isso ocorreu no segundo turno da disputa ao Planalto. 

Após registrar 46% dos votos válidos no primeiro turno, Bolsonaro preferiu usar suas redes sociais e a “mídia amiga”, em especial a TV Record do bispo Edir Macedo, para se promover nesta etapa das eleições. Ao apostar no discurso antipetista e em um retórica agressiva em temas como corrupção e segurança pública, o ex-militar teve sucesso em convencer parte da população de um suposto perigo de “venezuelização” do Brasil caso o PT voltasse ao poder. O candidato também investiu pesado na teoria conspiratória de que haveria um risco de fraude nas urnas eletrônicas para beneficiar o petista. 

O resultado surpreendente de Bolsonaro no primeiro turno deu tranquilidade para sua campanha no segundo. Após sofrer um atentado com faca em Juiz de Fora (MG), ele passou a crescer nas pesquisas e quase venceu já na primeira etapa da disputa. 

Capitão reformado do Exército, Bolsonaro saiu das Forças Armadas em 1988, após um rumoroso processo disciplinar no qual foi acusado de planejar explodir bombas em quartéis para reivindicar aumento salarial. Acabou absolvido pelo Superior Tribunal Militar por falta de provas. Naquele mesmo ano, lançou-se na política e consquistou uma cadeira de vereador no Rio de Janeiro. Dois anos depois, ele desembarcava na Câmara dos Deputados. 

No início, a sua atuação legislativa era voltada, sobretudo, à defesa de benefícios e melhor remuneração para os militares. Por se portar como uma espécie de “sindicalista da caserna”, sempre foi visto com desconfiança pelo alto oficialato – resistência que parece ter diminuído somente nos últimos anos, à medida em que o parlamentar conquistou a simpatia e o apoio de generais da reserva, como o seu vice, Hamilton Mourão. Em 1993, o ex-ditador Ernesto Geisel chegou a chamar Bolsonaro de um “mau militar”. 

Em quase 30 anos de atuação parlamentar, Bolsonaro conseguiu aprovar apenas dois projetos de sua autoria. O primeiro trata de uma proposta que estendia o benefício de isenção do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) para bens de informática.

O segundo é o projeto que autorizava o uso da chamada “pílula do câncer” – a fosfoetanolamina sintética, que jamais teve sua eficácia científica comprovada. Nunca ocupou cargo de destaque no Parlamento e sempre integrou o chamado baixo claro.

Racista, homofóbico, misógino e pró-ditadura, como resumiu o jornal francês Liberátion e diversas outras publicações estrangeiras, Bolsonaro foi alvo de várias acusações criminais. No Supremo, é réu em duas ações penais, nas quais é acusado de injúria e apologia do estupro por ter afirmado, na Câmara, que só não estupraria a deputada petista Maria do Rosário porque ela era “feia demais.

Em 2015, foi condenado pela Justiça a indenizar a parlamentar em 10 mil reais pela mesma razão. Também foi condenado a indenizar em 150 mil reais o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos do Ministério da Justiça, por fazer declarações homofóbicas num programa de TV. A decisão foi confirmada este ano pelo Superior Tribunal de Justiça.

O deputado também é recordista em representações no Conselho de Ética. A lista de acusações contra o presidenciável também é extensa na Corregedoria da Câmara. Entre outras acusações, Bolsonaro foi denunciado por chamar Lula de “homossexual” e Dilma Rousseff de “especialista em assalto e furto”. Recebeu seis punições por causa de entrevistas e pronuncioamentos agressivos. Em todos os casos, escapou da abertura de processos de cassação.

Nos anos 1990, chegou a dizer que o então presidente Fernando Henrique Cardoso deveria ter sido fuzilado durante a ditadura. O desejo de eliminar adversários políticos à bala parece uma obsessão. Recentemente, durante um comício no Acre, prometeu “fuzilar a petralhada”, enquanto simulava uma execução com um tripé de câmera. Dono de um discurso visceral contra o PT, soube como ninguém se beneficiar do antipetismo alimentado pela mídia desde o impeachment de Dilma.

Com uma legião crescente de seguidores nas redes sociais, é frequentemente saudado por apoiadores aos gritos de “mito”. Fenômeno digital, é o presidenciável com maior número de seguidores no Facebook, mais de 7,3 milhões. No Twitter, acumula mais de 1,6 milhão de seguidores.

Sua maior força, no entanto, está no WhatsApp, onde as postagens dos incontáveis grupos de fãs não pode ser rastreadas. De acordo com um estudo do  Instituto para Internet de Oxford, os apoiadores de Bolsopnaro são os que mais disseminam notícias falsas ou distorcidas.  Das fontes de “junk News” monitoradas, 81% eram compartilhadas pelos bolsonaristas.

Ao longo da campanha, Bolsonaro foi acusado de se beneficiar de uma rede ilegal de disparo de mensagens anti-PT bancada por empresários próximos, a exemplo de Luciano Hang, dono da rede varejista Havan. A investigação foi aberta pelo Tribunal Superior Eleitoral, mas ainda não foi concluída. Caso seja comprovado que ele foi beneficiado por doações não declaradas, sua chapa pode ser alvo de cassação. 

Junte-se ao grupo de CartaCapital no Telegram

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Compartilhar postagem