Política

‘Imagino que Bolsonaro não dormiu ontem à noite’, diz Lula sobre o Datafolha

O petista, porém, ressaltou que a campanha tende a ser difícil: ‘Não estamos enfrentando um adversário fraco, mas alguém perigoso’

Geraldo Alckmin, Lula e Fernando Haddad. Foto: Ricardo Stuckert
Geraldo Alckmin, Lula e Fernando Haddad. Foto: Ricardo Stuckert
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O ex-presidente Lula (PT) celebrou os resultados da pesquisa Datafolha que reforça o seu favoritismo na disputa com Jair Bolsonaro (PL), mas destacou que o adversário é “perigoso” e que “a caminhada não será fácil”.

Lula participou, nesta sexta-feira 27, de um encontro com lideranças de movimentos populares na Casa de Portugal, no Centro da cidade de São Paulo. O vice do petista, Geraldo Alckmin (PSB), também marcou presença na atividade.

“Vocês viram a pesquisa ontem. Eu imagino, Alckmin, que o Bolsonaro não dormiu ontem à noite. Imagino que ele falou: ‘Que desgraça esse Lula tem? A gente faz fake news contra ele todo dia'”, discursou Lula.

No primeiro turno, segundo o Datafolha, o petista aparece com 21 pontos de vantagem sobre Bolsonaro e chega a 54% dos votos válidos. No segundo, ampliou a dianteira sobre o ex-capitão na comparação com a rodada anterior, de março, e venceria por 58% a 33%.

“Não estamos enfrentando um adversário fraco, mas alguém que é perigoso, porque o comportamento dele não é democrático. Ele vive de ofender as instituições, dizendo que só Deus o tira de lá”, prosseguiu Lula, em referência a Bolsonaro. “Eu quero que ele saiba que o povo é a voz de Deus e o povo vai tirá-lo de lá. Quem vai tirá-lo de lá não é o Alckmin nem sou eu, mas são vocês. Porque vocês querem voltar a acreditar neste País.”

Na quinta-feira 26, o ex-ministro Aloizio Mercadante, presidente da Fundação Perseu Abramo e um dos coordenadores do programa de governo de Lula, disse a CartaCapital que a campanha petista “deve continuar debatendo a economia e o social e comparando os governos Lula e Bolsonaro”.

Foi o que Lula fez nesta sexta, em São Paulo. Lembrou realizações de seu governo na economia, defendeu uma política de valorização do salário mínimo e fez críticas diretas à gestão Bolsonaro. “O preço do combustível e metade da inflação vêm única e exclusivamente da responsabilidade do desgoverno que temos neste País, que agora quer privatizar tudo o que este País construiu.”

O ex-presidente também disse ser necessário debater responsabilidade social “para pagar a dívida que temos com o povo trabalhador”, não para “garantir dinheiro para banqueiro”. Trata-se, possivelmente, de uma referência indireta ao teto de gastos, cuja revogação é defendida pela federação PT/PCdoB/PV.

Lula afirmou, por fim, que o País tem uma dívida secular com os indígenas. Ele se comprometeu “não só a demarcar as terras que têm de ser demarcadas, como acabar com essa história de garimpo ilegal e madeireiro ilegal na terra indígena”.

Alckmin ironiza ameaças de Bolsonaro

Em seu discurso no evento, Geraldo Alckmin defendeu o protagonismo dos movimentos populares em um governo “democrático e popular”. O ex-governador afirmou que “é assim que se faz um programa, não fazendo motociata ou subindo em lancha e iate”, em referência a atividades de Jair Bolsonaro.

Segundo Alckmin, “os movimentos terão voz e vez” em um eventual novo governo de Lula.

“Chega de sofrimento, de exclusão, de ódio, de violência, de morte, de desemprego”, declarou o ex-tucano. “Já foi dito que nada segura a ideia a que chegou o seu tempo. Chegou o tempo do emprego, do salário mínimo valorizado, da saúde melhor, da saúde pública. Chegou o tempo da esperança, chegou o tempo de Lula presidente.”

Alckmin ainda fez críticas ao governo Bolsonaro, com menções ao “negacionismo” na saúde e à “regressão” na educação. Também ironizou os reiterados ataques do ex-capitão ao sistema eleitoral brasileiro.

“Não é que o Bolsonaro não confia na urna eletrônica, ele não confia é no voto dos brasileiros. Ele sabe que não merece outro mandato.”

CartaCapital
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